Bastonário lamenta estagnação da carreira dos psicólogos do SNS

O bastonário dos psicólogos lamenta, numa carta ao Presidente da República, a "atmosfera de injustiça" a que estão sujeitos centenas de profissionais que trabalham no SNS por estarem com a carreira estagnada há mais de 20 anos.

© Facebook da Ordem dos Psicólogos Portugueses

“O facto de as centenas de psicólogos já na carreira não terem qualquer revisão da mesma há mais de 20 anos aumenta essa atmosfera de injustiça”, salienta Francisco Miranda Rodrigues na carta enviada a Marcelo Rebelo de Sousa a poucos dias da eleição de um novo bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP).

O atual bastonário não se recandidata nas eleições marcadas para sexta-feira, nas quais concorrem ao cargo Ana Conduto (Lista A), Sofia Ramalho (Lista B), e Eduardo Carqueja (Lista C).

Segundo escreve, a ordem tem, desde há vários anos e dentro das suas atribuições, alertado para a situação dos psicólogos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), apelando à valorização e dignificação dos especialistas de Psicologia Clínica e da Saúde da carreira Técnica Superior de Saúde no SNS.

“É inadmissível que não se tenha visto até hoje um sentido de urgência na resolução desta situação”, refere o bastonário na carta a que a Lusa teve acesso, para quem este “atraso em dotar as unidades de saúde dos mínimos recursos” de serviços de psicologia “continua a deixar mais de 50% da população, incluindo crianças e jovens, com enormes dificuldades para aceder aos cuidados de saúde de que necessitam”.

Francisco Miranda Rodrigues salienta também que, depois de o anterior Governo ter reconhecido o título de especialista no SNS concedido por várias ordens profissionais, diversas Unidades Locais de Saúde “continuam inexplicavelmente sem o aplicar, em incumprimento da lei, sem que haja qualquer consequência ou ação no sentido da sua regularização”.

“Há mais de sete meses que aguardamos que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) dissemine um documento com orientações que ajude a desbloquear este processo, que mina o ambiente nas instituições de saúde e faz germinar a sensação de injustiça entre os profissionais”, refere o ainda bastonário.

A carta realça também que o início de uma nova legislatura “trouxe a necessidade de intervenção pública imediata sobre” as anunciadas alterações no SNS, com a OPP a avisar, desde o primeiro momento, “para os enormes riscos de uma alteração precipitada na liderança da Direção Executiva do SNS”.

“O que se verificou em seguida foi concordante com os nossos receios”, reconhece o bastonário.

Francisco Miranda Rodrigues considera, por outro lado, “pouco dignificante do exercício” de um cargo governativo a “atitude de total silêncio” da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social aos pedidos de audiência que, sete meses depois, “continuam sem resposta”.

“Também por isso está prejudicado o nosso objetivo de conclusão do processo que iniciámos com vista à alteração legislativa de saúde e segurança no trabalho, com alterações como a inclusão do psicólogo do trabalho nas equipas de saúde ocupacional”, lamenta o bastonário.

Já em relação à atividade dos psicólogos nas escolas, mantêm-se os cerca de 1.800 colocados pelo Ministério da Educação, mas a maioria continua em situação de precariedade, embora o Orçamento do Estado 2024 previsse a sua vinculação definitiva, escreve.

“Mais uma vez, as transições entre diferentes governos criaram dificuldades a que este objetivo, reiterado pelo atual Governo, pudesse já ter sido finalizado”, considera o bastonário.

A propósito do acesso à profissão, embora 2023 “tenha apresentado bons números de estágios profissionais” (cerca de 1.150) apesar de este ano estar em linha com o anterior, o bastonário receia alguns riscos “decorrentes de situações acumuladas”, se se continuar sem a execução de medidas compensatórias.

Últimas do País

Todos os arguidos acusados de aceder indevidamente ao subsídio social de mobilidade nos Açores, no âmbito da operação 'Mayday', foram hoje condenados, alguns a pena suspensa, sendo as penas mais elevadas de 10 e 14 anos de prisão efetiva.
O Tribunal de Serpa determinou a prisão preventiva do homem de 69 anos suspeito de maus-tratos que resultaram na morte de um bebé de três meses, naquela cidade alentejana, revelou hoje fonte policial.
Entre 20 e 50 pessoas atacaram agentes e viaturas da PSP durante a madrugada. Equipas de Intervenção Rápida recorreram a disparos de ‘shotgun’ para restabelecer a ordem. Os suspeitos conseguiram fugir.
A perda de sono devido às altas temperaturas relacionadas com as alterações climáticas duplicou nos últimos 50 anos nas principais cidades do mundo, Lisboa incluída, indica um estudo hoje divulgado.
Homem de 69 anos foi detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de ter agredido violentamente a criança enquanto estava à sua guarda. Investigação aponta para um caso de síndrome do bebé chocalhado.
PJ intercetou uma encomenda proveniente dos Países Baixos que escondia drogas sintéticas. Suspeito, de 36 anos, é acusado de revender estupefacientes através das redes sociais.
Dezenas de investigadores estão hoje concentrados num protesto em Lisboa para exigir o fim da precariedade e melhores condições de trabalho.
O líder parlamentar do PSD considera que a recalendarização dos exames nacionais "não justifica" o "alarido da oposição" e assegura que os sociais-democratas vão continuar a dialogar com o CHEGA e com o PS.
Direção-Geral da Saúde registou 292 casos em 2025. Sete em cada dez vítimas foram mutiladas antes dos nove anos de idade.
A GNR chama a atenção para a importância da manutenção preventiva dos pneus e apela a todos os condutores para que, antes de iniciarem as suas viagens, verifiquem o estado geral dos seus veículos.