FNAM apela a escusas de responsabilidade massivas e admite endurecer luta dos médicos

Os médicos devem apresentar “escusas de responsabilidade” sempre que se deparem com “equipas insuficientes” e “sem condições de trabalho”, defendeu hoje a FNAM, que também decidiu o prolongamento da greve às horas extraordinárias nos centros de saúde.

© Facebook / FNAM

Na sequência da reunião desta manhã do Conselho Nacional da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), a presidente do organismo, Joana Bordalo de Sá, adiantou à Lusa estar ainda em cima da mesa o “endurecimento da luta” caso continuem sem respostas da tutela até ao final do ano.

Qualificando como “extremamente insuficiente” o plano de inverno, a FNAM considerou ainda ser “ilegal” a tentativa “nos hospitais de desviar os médicos da sua atividade programada para o serviço de urgência” além de deixar a “atividade programada de consultas e cirurgias a descoberto”.

Já o plano em relação aos médicos de família é uma “violação” por “tentar impor que mais utentes sejam colocados nas listas”, traduzindo uma “interferência na gestão da lista dos utentes dos médicos de família (…) e na autonomia das unidades de saúde familiar, das USFs”, acrescentou.

“Portanto, o que a FNAM deliberou é que estamos a apelar a que sejam colocadas escusas de responsabilidade de forma massiva sempre que os médicos se encontrem em situações com equipas insuficientes e sem condições de trabalho”, anunciou a responsável à Lusa.

Joana Bordalo de Sá notou que essa situação já ocorre entre os médicos de pediatria do Algarve, do Hospital de Faro, garantindo que esta é uma “forma de proteger o médico, mas acima de tudo proteger também o utente”.

A FNAM também decidiu prolongar a greve ao trabalho extraordinário nos cuidados primários, ou seja, nos centros de saúde, cujo fim estava previsto para o final de dezembro, admitindo agora poder durar durante o primeiro semestre de 2025.

“Ainda aguardamos uma resposta do Ministério da Saúde de Ana Paula Martins, a quem nós enviámos uma missiva [a 02 de dezembro], sobre a questão de continuar a negociação” em termos salariais e de melhoria das condições de trabalho, referiu a dirigente, notando que, se “nada for feito, e eventualmente em 2025, agora no início, pode endurecer a nossa luta”.

“Poderão estar em cima da mesa novas greves, novos protestos, porque, de facto, nós estamos a lutar para que os médicos tenham melhores condições de trabalho, mas, acima de tudo, estamos a lutar para que o Serviço Nacional de Saúde também consiga dar resposta à população e que o Serviço Nacional de Saúde se mantenha público, universal, acessível a toda a população e isso não está a acontecer”, argumentou.

Depois da aprovação do Orçamento do Estado “não há razão para não haver reunião e não haver negociação até ao fim do ano”, notou.

Últimas do País

A Associação de Empresas de Medicina do Trabalho alertou hoje que a falta de médicos está a impedir o cumprimento da lei e apelou ao Governo para adotar medidas urgentes que evitem sanções às empresas por atrasos nas consultas.
Em quase um ano e meio, as autoridades portuguesas apreenderam cerca de 41 toneladas de cocaína, que dariam para compor "pelo menos 410 milhões de doses individuais", anunciou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
O INEM está a apurar as circunstâncias em que uma jovem morreu, em Vila Real, depois de um alerta para uma paragem cardiorrespiratória e de se ter verificado a inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).
O novo Programa Nacional de Saúde Escolar (PNSE), que estará em vigor até 2030, prevê um reforço da ideologia de género e educação para a sexualidade nas escolas portuguesas, incluindo conteúdos relacionados com diversidade, autoestima e mudanças corporais.
Portugal integra os países que passaram a estar na rota do tráfico de cocaína para a Europa por via marítima e que cada vez mais utiliza submersíveis que podem transportar até 10 toneladas, alerta um relatório divulgado esta sexta-feira.
O concelho de Abrantes aguarda ainda intervenções em estradas afetadas pelas cheias e pela tempestade Kristin, cinco meses após as intempéries, criticando a insuficiência dos apoios para responder a prejuízos estimados em mais de 16 milhões de euros (ME).
Um menino autista de seis anos ficou sem as terapias de que depende para o seu desenvolvimento depois de denunciar aos pais uma alegada agressão durante uma sessão. A família acusa o Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Fafe de responder à denúncia com a suspensão do tratamento e prepara uma queixa-crime.
Sandra Pereira revelou estar em tratamento oncológico e afirmou que nunca deixou de trabalhar. Contudo, "esta não é a realidade dos portugueses. Nem todas as pessoas conseguem por inúmeros fatores", tal como evidenciou a deputada do CHEGA Cristina Rodrigues.
O líder do CHEGA acusa Governo de abandonar quem trabalha e desconta para viabilizar a Prestação Social Única com o apoio do PS. O partido liderado por André Ventura votou contra o diploma.
Um homem esfaqueou hoje uma mulher num centro comercial de Leiria, pôs-se em fuga de imediato e acabou detido em Lisboa, confirmou à agência Lusa fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP).