Frente Cívica diz que risco de corrupção em Portugal cresce com aumento de dinheiro da UE

A Frente Cívica alertou para a existência de muito mais riscos de corrupção em Portugal com o aumento das verbas da União Europeia.

© D.R.

“No ciclo em que estamos a viver, em que temos mais dinheiro europeu por via do Programa de Recuperação e Resiliência pós-pandemia e a entrada do novo ciclo habitual de fundos europeus, temos muito mais riscos de corrupção”, disse o vice-presidente da Frente Cívica, João Paulo Batalha.

O dirigente falava à agência Lusa a propósito das comemorações do Dia Internacional contra a Corrupção que, este ano, decorrem na Marinha Grande, no distrito de Leiria.

Realçando que o país tem, “infelizmente, um histórico de apropriação indevida de fundos comunitários desde o início da adesão à então Comunidade Económica Europeia [01 de janeiro de 1986]”, João Paulo Batalha sustentou que esses riscos existem e “são agravados quando há maiores fluxos de dinheiro e quando há uma pressa maior em termos de execução orçamental”.

“Prazos para cumprir, para não se perderem os fundos, criam uma quase obsessão dos vários governos em executar os fundos o mais depressa possível”, declarou o dirigente da Frente Cívica, salientando que “essa obsessão se traduz em maus projetos, em pressa em atribuir fundos, mesmo que de forma errada a investimento não produtivo ou para favorecer pessoas ou entidades próximas do poder político”.

Para João Paulo Batalha, o que se tem visto com o PRR “é uma atitude política e legislativa de abrandar ou até suspender os controlos sobre o uso desse dinheiro, nomeadamente, poupando vistos do Tribunal de Contas e fiscalização da atribuição desses recursos”.

“Isto cria um ‘cocktail’ explosivo de potencial abuso de fundos europeus”, adiantou, avisando que este “não é um risco meramente abstrato, é um risco real” que o país está a viver “assistindo à alteração das leis para facilitar o gasto rápido dos fundos e diminuir os controlos”.

O vice-presidente frisou ainda que “esta obsessão política com a execução do dinheiro para não devolver dinheiro a Bruxelas” é, “em si, um incentivo à apropriação destas verbas”.

“É um problema a que estamos a assistir e o grande perigo é que depois de dissipado este dinheiro europeu, depois de passado o prazo, vamos ver que pouco ou nenhum investimento produtivo foi feito e que o dinheiro foi distribuído pelos mesmos grupos de interesses do costume próximos do poder político”, acrescentou João Paulo Batalha.

A Frente Cívica é uma associação de defesa de causas de interesse público. Trabalha para identificar os problemas crónicos da sociedade portuguesa, denunciar os seus responsáveis e lutar pela sua resolução, segundo o seu sítio na Internet.

Últimas do País

Os preços aplicados pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) vão subir, pela primeira vez em 15 anos, entre cinco e 10 cêntimos, dependendo das zonas, segundo uma proposta que vai à próxima reunião camarária.
O ministro da Presidência escusou-se esta sexta-feira, 17 de julho, a estabelecer uma meta horária para a afixação das pautas dos exames nacionais do ensino secundário, mas não afastou a possibilidade de ocorrer após o horário de funcionamento das secretarias das escolas.
Um homem de 60 anos foi detido na região de Lisboa por ser suspeito dos crimes de violência doméstica, violação, lenocínio e devassa da vida privada, ficando sob vigilância eletrónica, informou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
Duas pessoas morreram hoje e quatro ficaram feridas na sequência de uma colisão entre três viaturas ligeiras na Avenida da Índia, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte da PSP.
O presidente do CHEGA apelou esta sexta-feira ao ministro da Administração Interna para que se demita e saia "pelo seu próprio pé", e pediu "autoridade política" ao primeiro-ministro tendo em conta as "suspeitas graves" que considera haver sobre Luís Neves.
A Polícia Judiciária anunciou hoje que abriu inquérito sobre o reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
A proposta do CHEGA para proibir a ocultação do rosto em espaços públicos recebeu luz verde da Assembleia da República. O diploma, conhecido como ‘lei das burcas’, foi recebido com uma salva de palmas da bancada do partido, que fala numa vitória da segurança e da ordem pública.
Partido denuncia que autarquia financia ações de sensibilização para a deficiência, mas rejeitou um plano para eliminar barreiras arquitetónicas nos estabelecimentos de ensino.
O partido liderado por André Ventura recebeu queixas de encarregados de educação, esta manhã, porque as notas dos exames não estavam disponíveis à hora prevista.
Dezassete concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão esta sexta-feira em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).