Ventura visita Benformoso e alega que PSP é alvo de “genocídio político”

O presidente do CHEGA considerou hoje que os polícias estão a ser alvo de um "genocídio político", numa visita à zona do Martim Moniz, em Lisboa, onde ouviu moradores a pedir mais segurança mas também elogios à comunidade imigrante.

© Folha Nacional

André Ventura falava à imprensa momentos antes de visitar a Rua do Benformoso, na zona do Martim Moniz, em Lisboa, que recentemente foi palco de uma operação policial que gerou polémica e várias críticas públicas por parte de forças políticas e associações de imigrantes.

Interrogado sobre que mensagem queria passar com esta visita, Ventura respondeu: “É a mensagem que os políticos deviam ter passado já: a mensagem de que estão ao lado da polícia e não a alinhar neste verdadeiro genocídio que está a ser feito contra a polícia em Portugal, este genocídio político, que é a tentativa de decapitar todos os polícias, dizer que todos são racistas, qualquer ação policial é exagerada, qualquer ação policial não se justifica”.

Ventura afirmou que as forças de segurança “estavam a cumprir ordens que lhes foram transmitidas pelas autoridades judiciárias e pelas autoridades administrativas” e a “cumprir mandatos judiciais”, defendendo a sua atuação.

Se no fim de semana mais de uma centena de pessoas percorreu a Rua do Benformoso para distribuir cravos vermelhos, símbolo da revolução que instaurou a democracia no país, desta vez a comitiva do CHEGA, composta por vários deputados, apareceu munida de rosas brancas, que Ventura caracterizou como símbolo “da lei e da ordem”.

Logo no início da sua caminhada, a comitiva foi abordada por alguns imigrantes que queriam oferecer a André Ventura rosas vermelhas, antes de trocar algumas palavras com Rana Taslim Uddin, líder da comunidade do Bangladesh em Lisboa.

“Para nós todos são bem-vindos aqui, e nós ficamos contentes, trouxe flores para si”, disse o líder da comunidade ao Presidente do CHEGA.

“Nós respeitamos todas as comunidades, o que exigimos é que cumpram regras. E também desculpe dizer isto assim, acho que não me vai levar a mal: eu é que o cumprimento por estar aqui, e não o senhor por estar aqui eu, porque a terra é nossa ainda”, respondeu André Ventura.

A caminhada continuou, sempre supervisionada pela segurança do partido e por um forte contingente policial da Equipa de Intervenção Rápida da PSP, que seguia atrás da comitiva.

Ventura não tardou em encontrar uma moradora: “Estou muito mal desde que esta comunidade veio para aqui”, afirmou.

“O problema que eu tenho ultimamente é querer entrar em casa e eles estarem aos grupos à porta parados na rua. Isso é que eu acho mal. Não deixam a pessoa entrar em casa. (…) É só esse o problema porque eu a dizer verdade nunca tive problema com pessoa nenhuma”, acrescentou.

Ventura disse não estar em causa “a nacionalidade” dos cidadãos mas sim “os grupos cumprirem as mesmas regras”.

Mais adiante, junto a uma mercearia, António Barroso, morador da Rua do Benformoso há 55 anos, contou a Ventura que por vezes alguns taxistas recusam levá-lo a casa por já terem sido assaltados naquele local, e relatou uma tentativa de assalto da qual foi vítima.

Perante o aparato mediático, vários residentes filmavam e tiravam fotografias a Ventura, que também ouviu críticas de quem passou e gritou “25 de Abril sempre” — com a comitiva a devolver gritos de “Democracia” e “CHEGA”.

No final, Ventura disse sair do bairro com a “sensação de que faz falta muito mais polícia” neste local e de que é necessário “recomendar ao Governo uma presença policial massiva”.

Últimas de Política Nacional

Foram várias as ameaças de morte que André Ventura, líder do CHEGA, recebeu nas redes sociais, após publicar um vídeo sobre a fuga de um detido do Tribunal de Ponte de Sor e a alegada emboscada montada à GNR para facilitar a evasão.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu o encerramento de esquadras da PSP em Lisboa, numa decisão que está a gerar preocupação sobre o futuro da segurança nas grandes cidades.
A guerra interna no PSD na freguesia das Avenidas Novas, em Lisboa, voltou a rebentar e já ameaça provocar uma crise política sem precedentes numa das maiores juntas da capital. Um acordo promovido por Carlos Moedas e pela liderança distrital do PSD durou apenas 10 dias antes de colapsar em acusações mútuas, suspeitas de favorecimento e denúncias de “tachos” para familiares.
O CHEGA leva esta quinta-feira ao Parlamento um conjunto de propostas centradas no reforço da autoridade das forças de segurança, na proteção dos agentes policiais e no combate à criminalidade, depois de o partido ter fixado a ordem do dia no debate parlamentar.
A Polícia Judiciária realizou esta quinta-feira uma operação de buscas relacionada com suspeitas de corrupção em concursos públicos para aluguer de helicópteros de combate a incêndios. Entre os alvos está Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro.
José Sócrates, antigo primeiro-ministro socialista, vai começar a ser julgado esta quinta-feira no Tribunal Administrativo de Lisboa no âmbito da ação em que exige uma indemnização ao Estado português devido à duração do processo Operação Marquês.
O líder do CHEGA disse esta terça-feira que terá sido por pressão do PS que o presidente do Tribunal Constitucional comunicou a decisão de renunciar às funções e defendeu que o parlamento deve marcar já a eleição dos novos juízes.
O presidente do CHEGA criticou hoje o PSD por inviabilizar uma comissão de inquérito à Operação Influencer com "motivos fúteis" e perguntou de que "tem medo" o partido de Luís Montenegro, reiterando que a forçará a partir de setembro.
A Assembleia Municipal de Oeiras rejeitou uma proposta apresentada pelo CHEGA que defendia a transmissão pública das reuniões da Câmara Municipal e das Assembleias de Freguesia do concelho.
O CHEGA entregou este domingo a proposta de constituição de um inquérito parlamentar à Operação Influencer para aferir a legalidade da intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos ligados ao lítio, hidrogénio e ao centro de dados de Sines.