Chega, IL e PAN contra amnistia para reclusos proposta pela Igreja Católica

CHEGA, IL e PAN mostraram-se hoje contra o pedido da Igreja Católica para que seja concedida amnistia a reclusos, enquanto o PCP pondera acompanhar esta proposta e o BE irá apresentar uma iniciativa própria.

© Parlamento

A Lusa questionou os partidos políticos representados na Assembleia da República sobre a proposta que o cardeal e bispo de Setúbal, Américo Aguiar, entrega hoje ao parlamento, enquanto representante da Igreja Católica, depois de na semana passada ter exortado os deputados a equacionarem uma amnistia a presos no contexto do Jubileu de 2025 da Igreja Católica e do 50.º aniversário do 25 de Abril.

O CHEGA mostra-se “contra qualquer tipo de redução/perdão de penas”.

Também a IL diz que, “por princípio”, é contra uma “intromissão reiterada do poder político em matérias que são da competência da Justiça”.

“A amnistia aprovada por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude, há pouco mais de um ano, esgotou de momento a oportunidade para este tipo de iniciativas”, defendem os liberais.

O PAN esclareceu que não irá apresentar qualquer lei de amnistia, defendendo que esta medida “não faz sentido” e recordando que já se opôs, há dois anos, à chamada “amnistia papal”. O partido sublinha que Portugal é um Estado laico e “não deve indexar amnistias penais a eventos religiosos”, como o Jubileu de 2025.

O partido sugere ainda que, caso se queira evocar o Jubileu 2025, os políticos devem inspirar-se na encíclica ‘Laudato Si’ que, diz o PAN, apela à promoção do respeito pela natureza e a erradicação da crueldade para com os animais.

Por seu turno, o PCP diz à Lusa que “pondera acompanhar a iniciativa” e que irá “avaliar o enquadramento e os critérios”.

O BE lembra que deu entrada na Assembleia da República uma petição, subscrita ‘online’ por mais de 5.800 pessoas que pedia “uma amnistia/perdão de penas, de aplicação ampla, de âmbito generalizado e de dimensão significativa” por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril de 1974.

Os bloquistas assinalam que intervieram “ativamente no debate promovido pelos promotores da petição”, na sua audição, e acompanharam as “conclusões do relatório aprovado pela Comissão de Assuntos Constitucionais”.

“O Bloco intervirá na discussão da petição em plenário, estando a trabalhar no sentido da apresentação de uma iniciativa própria”, indica o partido.

A Lusa contactou também PSD, PS, CDS-PP e Livre, até agora sem resposta.

O cardeal Américo Aguiar, na qualidade de representante da Igreja Católica, entrega hoje ao presidente da Assembleia da República um pedido para uma amnistia para reclusos, no quadro do apelo feito pelo Papa no início do Jubileu.

“Podemos ter, como diz o Papa, um gesto de esperança e de confiança em relação àqueles nossos concidadãos que, em certo momento da sua vida, cometeram uma falha, cometeram um crime e estão a cumprir as consequências daquilo que foram os seus atos”, afirmou à Lusa o também bispo de Setúbal.

O pedido de uma amnistia foi feito pelo líder da Igreja na bula de proclamação do Jubileu católico, uma celebração que ocorre, de modo ordinário, a cada 25 anos e os bispos portugueses cumprem assim o pedido formal para que os deputados discutam a proposta.

O pedido é hoje entregue ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e será também dirigido aos diferentes grupos parlamentares, explicou o cardeal.

Portugal celebra também os 50 anos do regime democrático e Américo Aguiar espera que os deputados discutam em 2025 uma petição já entregue, “apresentada por associações ligadas ao trabalho junto dos reclusos”, para uma amnistia.

Últimas de Política Nacional

É a André Ventura que os inquiridos da sondagem da Aximage atribuem o título de principal figura da oposição ao Governo em Portugal.
Questionados sobre a carta que o Líder do CHEGA endereçou ao Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, tendo como objeto a demissão do ministro Luís Neves, 59% dos inquiridos da sondagem Aximage afirmam concordar com a posição e atuação de André Ventura.
O CHEGA voltou a exigir fronteiras controladas perante a invasão migratória registada em Ceuta, onde cerca de 49 mil imigrantes entraram ilegalmente em apenas 24 horas, um número que poderá ser ainda mais elevado. Para André Ventura, a Europa tem de travar a imigração ilegal e recuperar imediatamente o controlo das suas fronteiras. “Temos de proteger o país”, afirmou o presidente do partido líder da oposição em Portugal.
Na mais recente sondagem da Aximage, o CHEGA volta a subir para valores históricos, consolidando-se como segunda força política, com 26,2% das intenções de voto.
O Governo vai avançar com seis milhões de euros para financiar projetos especificamente dirigidos às comunidades ciganas, ao mesmo tempo que milhares de famílias trabalhadoras portuguesas continuam a enfrentar salários baixos, dificuldades no acesso à habitação, longas listas de espera no Serviço Nacional de Saúde e uma carga fiscal cada vez mais pesada.
O CHEGA deu entrada de um requerimento para a convocação urgente da Comissão Permanente da Assembleia da República, com vista à audição do Ministro da Administração Interna, Luís Neves, e da Ministra da Justiça.
Com 132 projetos de lei apresentados na primeira sessão legislativa, a bancada de André Ventura tornou-se a mais produtiva da Assembleia da República. O CHEGA entregou o dobro das iniciativas do PS e superou, de forma destacada, todos os restantes partidos com representação parlamentar.
Para o CHEGA, o Estado não pode continuar a privilegiar quem “não quer fazer nada”, defendendo, por isso, a criação de um “plano nacional de combate à subsidiodependência”.
Líder do CHEGA acusa Luís Montenegro de ignorar os problemas dos portugueses, questiona a confiança política no ministro da Administração Interna e afirma que o Governo está em “acelerada decomposição”.
O presidente do CHEGA disse esperar ter uma conversa com o primeiro-ministro sobre as alegadas ameaças do ministro da Administração Interna (MAI), negadas pelo próprio, e vai convocar os órgãos nacionais para decidir eventuais ações.