Novo CEO do SNS tem perfil “muito académico e de gabinete”

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) considerou hoje que o novo diretor executivo do SNS tem um perfil "muito académico e de gabinete", quando o cargo exige alguém com o conhecimento direto do serviço público de saúde.

© Facebook da Ordem dos Médicos

“Nós temos sempre de esperar o melhor, mas de facto eu preferia alguém que tivesse o conhecimento direto e que assumisse o cargo sabendo, logo à partida, quais são as dificuldades do SNS”, conhecendo-as “na primeira pessoa”, disse à Lusa Carlos Cortes.

O antigo presidente da Entidade Reguladora da Saúde, Álvaro Almeida, foi escolhido pelo Governo para liderar a Direção Executiva do SNS (DE-SNS), na sequência da demissão de Gandra d’Almeida na sexta-feira.

Segundo o bastonário, a OM tinha considerado a necessidade de a DE-SNS ter à frente alguém com características técnicas, independente e conhecedor do SNS, mas o nome escolhido pelo Ministério da Saúde apresenta um “perfil muito académico e de gabinete”.

“Teve algumas incursões em temas de saúde, mas não é verdadeiramente um conhecedor e é alguém com um perfil marcadamente político-partidário”, referiu Carlos Cortes, manifestando a disponibilidade da ordem para “colaborar ativamente” com Álvaro Almeida “para ajudar a ultrapassar as dificuldades do SNS”.

O bastonário realçou ainda que o novo diretor executivo “vai ter de ter uma curva de aprendizagem mais aprofundada, mais dilatada no tempo”, numa altura em que não há tempo a perder no SNS.

“O perfil conhecido não é o mais importante. O mais importante é o que aí vem, as próximas semanas e meses. Não há muito tempo a perder, a saúde precisa de uma intervenção muito rápida e precisa de uma DE-SNS atuante e interveniente”, salientou.

Carlos Cortes disse ainda que não se pode imputar à DE-SNS, que entrou em funcionamento há cerca de dois anos, a “responsabilidade do que está a acontecer no SNS” e defendeu que este não é ainda o momento para fazer uma avaliação do órgão criado para gerir a rede de unidades de saúde públicas.

“Não podemos sistematicamente entrar neste exercício infantil de estar sempre a querer mudar tudo”, alertou o bastonário.

Na sexta-feira, o então diretor executivo do SNS, António Gandra d’Almeida, pediu a demissão das suas funções, pedido que foi aceite de imediato pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

O pedido de demissão foi anunciado depois de a SIC ter noticiado que acumulou, durante mais de dois anos, as funções de diretor do INEM do Norte, com sede no Porto, com as de médico tarefeiro nas urgências de Faro e Portimão e que terá recebido por esses turnos mais de 200 mil euros.

Doutorado em Economia pela London School of Economics and Political Science, Álvaro Santos Almeida foi presidente da Administração Regional de Saúde do Norte, presidente da Entidade Reguladora da Saúde entre 2005 e 2010 e foi economista no Fundo Monetário Internacional.

Na Porto Business School é diretor da Pós-Graduação em Gestão e Direção de Serviços de Saúde.

Foi deputado do PSD e chegou a ser candidato à Câmara Municipal do Porto nas eleições autárquicas de 2017.

Entretanto, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) anunciou na segunda-feira uma inspeção à eventual acumulação de funções públicas e privadas de António Gandra d’Almeida nos períodos em que foi diretor do INEM do Norte e diretor executivo do SNS.

Além dessa inspeção, a IGAS vai realizar uma auditoria, desdobrada em vários processos, ao “desempenho organizacional das entidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do Ministério da Saúde” relativa ao cumprimento das normas que regulam a acumulação de funções públicas com funções ou atividades privadas.

Últimas do País

A destruição de gravações telefónicas por parte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) impediu a Inspeção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) de determinar as razões do atraso no accionamento do socorro a um homem em Évora, em Fevereiro de 2025.
O Ministério Público acusou um homem em situação de sem-abrigo de homicídio qualificado da companheira em Alenquer, no distrito de Lisboa, na viatura onde habitualmente dormiam.
Uma brigada florestal animal composta por vacas maronesas está a pastar e a limpar um terreno de 6,5 hectares, em Vila Pouca de Aguiar, e a ajudar a prevenir incêndios rurais, num projeto apresentado esta sexta-feira.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve nos distritos de Braga, do Porto e de Aveiro 12 suspeitos de integrarem um grupo criminoso organizado que se dedicava à produção de grandes quantidades de canábis, indicou hoje esta força de investigação criminal.
O líder parlamentar do CJEGA, Pedro Pinto, diz que nada melhorou no Serviço Nacional de Saúde (SNS), aponta mortes nos hospitais, falta de médicos de família.
Meses depois da tragédia que matou 16 pessoas em Lisboa, a Polícia Judiciária avançou para buscas e investiga agora suspeitas de graves falhas de segurança no Elevador da Glória.
O aeroporto de Lisboa vai ter a partir desta sexta-feira, 29 de maio, um reforço de 48 agentes da PSP e mais ‘boxes’ e ‘e-gates’, segundo o Ministério da Administração Interna (MAI).
Um estudo da Rede Europeia Anti-Pobreza divulgado hoje conclui que o risco de pobreza em Portugal sobe de 16,6% para 27,6% se foram considerados os custos com a habitação.
Regiões a sul do rio Tejo estão em situação de onda de calor, tendo Mora atingido na quarta-feira os 40,3ºC, um extremo absoluto para um mês de maio, foi hoje divulgado.
A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) disse hoje que os passageiros que percam voos devido a tempos de espera prolongados nos controlos de fronteira não têm direito a indemnização ou assistência ao abrigo das regras europeias sobre transporte aéreo.