Costa recebe 38,3 mil euros, o quádruplo do que ganhava enquanto primeiro-ministro

O antigo primeiro-ministro António Costa, que se demitiu do cargo na sequência da ‘Operação Influencer’, quadruplicou a sua remuneração quando passou a presidir o Conselho Europeu, bem como a comissária europeia Maria Luís Albuquerque que aufere agora o triplo do atual primeiro-ministro, de acordo com informações avançadas pelo Jornal de Notícias (JN).

© Folha Nacional

António Costa, enquanto primeiro-ministro socialista, auferia um salário mensal de cerca de 8,3 mil euros em 2024, valor que quadruplicou quando foi eleito presidente do Conselho Europeu, cargo que ocupa atualmente e que lhe rende 38,3 mil euros mensais, incluindo subsídios, segundo o estudo que o Instituto Mais Liberdade adiantou ao JN. O valor referido é o mesmo que recebe Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Apesar de não ter sido constituído arguido, António Costa continua a ser investigado no âmbito da ‘Operação Influencer’, que coloca em causa suspeitas de crimes de prevaricação, corrupção ativa e passiva de titular de cargo político e tráfico de influência.

A residência oficial do antigo primeiro-ministro foi alvo de buscas, tendo as autoridades apreendido 75 mil e 800 euros em numerário no escritório do chefe de gabinete de António Costa na residência oficial.

Na passada terça-feira, tomou-se conhecimento de que o Ministério Público (MP) abriu uma nova investigação relacionada com esta operação, por suspeitas de violação do segredo de Estado. Foi apreendida uma pen-drive onde constam nomes e dados pessoais de centenas de agentes do SIS e SIED, Polícia Judiciária e quadros das Finanças.

Já a comissária europeia para os Serviços Financeiros, União da Poupança e Investimento, Maria Luís Albuquerque, indicada pelo atual chefe do Executivo para comissária europeia, está a auferir um salário de 30,5 mil euros, mais do triplo do salário de Luís Montenegro.

Últimas de Política Nacional

Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.