Internos do Amadora-Sintra “preocupados” com serviço de cirurgia geral

Médicos internos do Hospital Fernando Fonseca manifestaram "profunda preocupação" com o funcionamento do serviço de cirurgia geral, numa carta em que denunciam o "clima de insegurança profissional" a que estão sujeitos.

©facebook.com/hospitalfernandofonseca

O alerta consta na carta dos internos de formação especializada em cirurgia geral do Hospital Fernando Fonseca, que integra a Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, a que a Lusa teve hoje acesso e que foi enviada à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e ao bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, assim como a outras entidades.

“Manifestamos a nossa profunda preocupação face aos acontecimentos que têm comprometido gravemente o funcionamento do serviço de cirurgia geral e, consequentemente, a nossa formação médica”, escrevem os nove internos do Hospital Fernando Fonseca, de onde se demitiram em outubro 10 cirurgiões devido ao regresso de dois outros médicos que tinham denunciado más práticas no serviço, que não se confirmaram.

Em relação às urgências, estes internos referem que a escala para janeiro de 2025 só foi divulgada em 30 de dezembro de 2024, “sem respeitar as indisponibilidades previamente comunicadas pelos internos devido, por exemplo, a estágios fora da instituição que incluem serviço de urgência”.

Segundo os médicos em formação, esta situação gerou uma “necessidade constante de reformulação das equipas, nem sempre respeitada pela direção”.

“Na maioria dos turnos, as equipas estavam abaixo do número mínimo necessário para assegurar um atendimento adequado” à população abrangida pelo Hospital Fernando Fonseca, alertam na carta, que refere que um dos turnos decorreu com uma equipa de urgência “composta exclusivamente por prestadores de serviço especialistas”.

Já em relação ao bloco operatório eletivo, os médicos internos de cirurgia geral referem que, em janeiro, “foram operados apenas nove doentes oncológicos”, além de alguns procedimentos adicionais, e na primeira semana de fevereiro “cerca de metade dos doentes agendados foram cancelados”.

Os alertas estendem-se ainda ao funcionamento da consulta externa, com a carta a salientar que os internos continuam a realizar consultas nas tardes “com uma média de 20 doentes” que são atendidos entre cinco e 10 minutos cada um, “sem a presença de especialistas para discussão de casos”.

“As consultas dos especialistas (agendadas para o período da manhã) têm sido frequentemente desmarcadas para suprir a carência de médicos no serviço de urgência”, denunciam também os signatários da carta.

Relativamente às “relações interpessoais”, os médicos internos realçam que “o ambiente no serviço mantém-se hostil e opressivo”, em contraste com o que se vivia “antes do êxodo” dos especialistas em outubro.

“Em suma, mantém-se um clima de insegurança profissional e não vislumbramos, a curto prazo, uma solução para o problema”, termina a carta, que salienta que qualquer reestruturação do serviço de cirurgia geral “não pode, nem deve, ocorrer à custa dos internos”.

Em 15 de janeiro, a Ordem dos Médicos (OM) considerou que o Hospital Fernando Fonseca estava sem condições para assegurar a formação dos médicos internos de formação específica, que “vão ter de sair” do ULS Amadora-Sintra.

Na resposta, a ULS Amadora-Sintra contestou esta posição da OM e assegurou que o Hospital Fernando Fonseca tem condições para garantir a formação dos internos de formação específica na sequência da contratação de mais médicos.

Na segunda-feira, o diretor do serviço de Urgência do Amadora-Sintra, Hugo Martins, demitiu-se do cargo, e o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, pediu a intervenção direta da ministra da Saúde na ULS, considerando que o conselho de administração não consegue dar resposta à falta de profissionais.

Últimas do País

O presidente do CHEGA acusa grupos de extrema-esquerda de se infiltrarem nas manifestações pela habitação para provocar confrontos com a polícia. Ventura defende a atuação das forças de segurança e exige medidas urgentes no Orçamento do Estado, rejeitando reuniões políticas sem soluções concretas.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) alertou que mais de 60 ambulâncias do INEM estão em oficinas sem ordem de reparação, suspeitando que o instituto pretende substituí-las por viaturas ligeiras.
Portugal registou 2.767 acidentes rodoviários e 13 vítimas mortais entre 13 e 19 de outubro, mais oito mortes do que no mesmo período de 2025. Durante a campanha 'Viaje sem Pressa', a GNR e a PSP fiscalizaram mais de 5,4 milhões de veículos e detetaram 12.994 infrações por excesso de velocidade.
O Ministério Público (MP) acusou 11 pessoas e 15 sociedades dos crimes de associação criminosa, fraude fiscal, burla tributária e branqueamento, através da venda de veículos, componentes automóveis e deduções indevidas de IVA, segundo publicação hoje consultada pela Lusa.
O património imobiliário do PCP está avaliado em cerca de 14,5 milhões de euros, segundo dados divulgados, que identificam mais de 300 prédios associados ao partido. Entre compras, vendas e permutas, destaca-se um negócio em Aveiro que envolve um imóvel adquirido por 350 mil euros e uma permuta por cinco frações avaliadas em 800 mil euros, operação que foi alvo de investigação do Ministério Público.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 100 vítimas de 'bullying' em 2025, a maioria raparigas entre os 11 e os 14 anos, segundo dados divulgados hoje, Dia Mundial do Combate ao Bullying.
Um casal suspeito de burlar idosos em Silves através da simulação de acidentes de viação, exigindo dinheiro para reparar danos nos veículos, foi detido na segunda-feira pela GNR. Os suspeitos, ambos com 45 anos, convenciam as vítimas de que tinham provocado estragos nas viaturas e pressionavam-nas a pagar de imediato, evitando a comunicação do caso às autoridades ou às seguradoras.
As autoridades policiais apreenderam desde 01 de janeiro deste ano 42 toneladas de cocaína, mais 17 do que em todo o ano de 2025, revelou hoje o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve hoje 55 manifestantes que resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio).
Um esquema de tráfico internacional que utilizava filtros de água para esconder cocaína proveniente de um cartel colombiano terminou com condenações em tribunal. Segundo avança o Jornal de Notícias, os equipamentos eram utilizados para dissimular a droga e facilitar a sua importação.