CHEGA tem cinco arguidos. PS, PSD, IL e Bloco têm quase 200

Entre 2017 e 2023, cerca de 200 nomes de políticos e detentores de cargos públicos em Portugal tornaram-se mediáticos face a casos em que foram constituídos arguidos ou acusados, sendo que é entre o Partido Socialista (PS) e o Partido Social-Democrata (PSD), partidos que têm alternado no poder nos últimos 50 anos, que há mais crimes.

© Folha Nacional

Em apenas seis anos, entre 2017 e 2023, foram, pelo menos, 191 os políticos e detentores de cargos públicos em Portugal que acabaram constituídos arguidos ou acusados pela Justiça, sendo que é entre o Partido Socialista (PS) e o Partido Social-Democrata (PSD), partidos que têm alternado no poder nos últimos 50 anos, que há mais crimes. O CHEGA com apenas cinco anos de idade reúne somente cinco arguidos (mais dois: um alusivo a um antigo deputado e outro pertencente a um ex-dirigente), sendo que nenhum dos arguidos é acusado de desviar ou usar indevidamente o dinheiro dos contribuintes.

A CNN Portugal enumerou cerca de 133 autarcas, 33 deputados e 25 membros de governos a braços com a justiça, entre 2017 e 2023. No período em análise, cerca de 200 nomes tornaram-se mediáticos face a casos em que foram constituídos arguidos ou acusados. Dentro da esfera dos 25 membros de governos que foram constituídos arguidos, há um primeiro-ministro, 11 ministros e 13 secretários de Estado, sendo que a maioria pertencia a governos do Partido Socialista.

Ao todo, 16 ex-ministros e antigos secretários de Estado do PS – muitos do governo do antigo primeiro-ministro José Sócrates – foram investigados e alguns acusados pelo Ministério Público (MP).
Um dos processos mais mediáticos envolve o antigo ministro da Economia, Manuel Pinho, que foi acusado de favorecer a esfera de interesses do Grupo Espírito Santo em negócios com várias empresas. Também os ministros Mário Lino e António Mendonça, que titularam as Obras Públicas, e Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças, foram constituídos arguidos no megaprocesso das Parcerias-Público-Privadas rodoviárias.

Outros nomes abrangem ainda o ex-ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, em relação ao caso do atropelamento mortal na A6; e Armando Vara, antigo ministro de Sócrates, no âmbito do processo Face Oculta e Processo Marquês. Por sua vez, José Sócrates está neste momento a responder por 22 crimes, incluindo três de corrupção.

Por outro lado, o PSD viu sete dos seus ex-governantes serem constituídos arguidos: três ex-ministros e quatro antigos secretários de Estado. António Mexia foi arguido num processo de suspeitas de corrupção ativa. Também Isaltino Morais, que foi ministro de Durão Barroso, foi acusado de prevaricação de titular de cargo político.

Mais recentemente, a Operação Tutti Frutti, que investigou desde 2018 alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD, foi concluída com o Ministério Público a acusar 60 arguidos (11 dos quais empresas), entre eles autarcas das mais importantes juntas de freguesia de Lisboa, funcionários e empresários, muitos do PSD. Em causa estão crimes de branqueamento de capitais, corrupção, prevaricação, abuso de poder, tráfico de influência e participação económica em negócio, segundo a acusação, a que o ECO Online teve acesso.

Já o CHEGA conta com cinco nomes (mais dois: um alusivo a um antigo deputado e outro pertencente a um ex-dirigente) a braços com a justiça, desde a sua criação em 2019. Entre os cinco arguidos, os crimes abrangem queixas por difamação, afirmações falsas, apagão informático e pagamentos de dívidas, ficando claro de que nenhum arguido foi ou é suspeito por desviar ou usar indevidamente o dinheiro dos contribuintes. E ao contrário do que a imprensa tem avançado, o líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, não está a ser investigado por nenhuma agressão a um árbitro.

Quanto aos outros dois crimes pertencentes a antigos membros do partido: Miguel Arruda (ex-deputado do CHEGA que passou a independente, recusando renunciar ao cargo tal como André Ventura lhe tinha pedido) é suspeito de furto de malas e Nuno Pardal Ribeiro (antigo deputado da Assembleia Municipal lisboeta e ex-vice-presidente da distrital de Lisboa do Chega) é acusado de prostituição de menores.

A IL conta com um processo de arguida e o Bloco de Esquerda com três, segundo o jornal Público que avançou esta sexta-feira que, desde abril do ano passado, a Assembleia da República levantou imunidade a 11 deputados como arguidos e 33 como testemunhas.

Últimas de Política Nacional

O candidato presidencial André Ventura lamentou hoje as mortes na sequência da depressão Kristin e disse que espera poder visitar zonas do país afetadas pelo mau tempo nos próximos dias.
Mais de 3,9 milhões de pessoas assistiram ao debate entre os candidatos presidenciais André Ventura e António José Seguro, e foi o mais visto de todos os debates, de acordo com a análise da Universal McCann.
O Governo avançou para uma limpeza silenciosa nas administrações hospitalares, afastando equipas com bons resultados para colocar dirigentes com ligações ao PSD e ao CDS. Em menos de um ano, quase 80% das novas nomeações recaem em nomes próximos do poder político.
A campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais arranca oficialmente hoje, um dia após o debate entre António José Seguro e André Ventura, marcado pela discussão sobre saúde, legislação laboral, poderes presidenciais, regulação da imigração e política internacional.
O presidente da Comissão de Transparência, Rui Paulo Sousa, eleito pelo CHEGA, criticou hoje a deputada socialista Eva Cruzeiro por colocar em causa a isenção desta comissão, salientando que as audições obedecem sempre ao Regimento do parlamento.
A campanha oficial para a segunda volta das eleições presidenciais arranca na quarta-feira e decorre até ao dia 6 de fevereiro, com André Ventura e António José Seguro na corrida a Belém.
É hoje o único debate televisivo entre os dois candidatos à segunda volta das Eleições Presidenciais. Terá 75 minutos de duração e está marcado para as 20h30 (com transmissão na RTP, SIC e TVI).
Uma recolha de depoimentos nas galerias da Assembleia da República acabou em retenção policial e proibição de perguntas. A revista Sábado denuncia pressões e interferências após uma ordem direta do líder parlamentar do PSD.
Antigo presidente da Junta de Amiais de Baixo abandona militância e dispara contra a concelhia de Santarém.
Entre 2017 e 2022, o dinheiro da Junta de Freguesia serviu para pagar dívidas privadas e despesas pessoais. O Tribunal de Santarém considerou provado o desvio de verbas públicas e condenou o então secretário da autarquia por peculato e falsificação de documentos.