Utentes manifestam-se junto ao hospital Amadora-Sintra

Cerca de uma centena de utentes dos concelhos da Amadora e Sintra estão, desde as 09:00 de hoje, concentrados à porta do Hospital Fernando da Fonseca, exigindo mais profissionais de saúde, disse Pedro Ventura, vereador na Câmara de Sintra.

©facebook.com/hospitalfernandofonseca

Em declarações à agência Lusa, o vereador da CDU na Câmara Municipal de Sintra, que também participa na ação, explicou que os cerca de 100 utentes que se encontram à entrada do Hospital Amadora-Sintra estão contra os cuidados de saúde que estão atualmente a ser prestados nesta unidade hospitalar e exigem contratação de profissionais em falta.

“Acima de tudo o que está aqui em questão é a incapacidade que o atual Governo tem tido na resolução dos principais problemas que afetam o Amadora-Sintra. Os tempos de espera têm sido verdadeiramente insuportáveis. Há 15 dias chegámos a ter 36 horas de tempo de espera por uma consulta, o que é verdadeiramente insuportável”, precisou.

De acordo com o vereador comunista, esta unidade de saúde está a “rebentar pelas costuras” e não tem capacidade para mais.

“Não vemos uma resposta que seja efetiva por parte do Ministério da Saúde. Veja-se o caso, que é também uma revindicação dos utentes de Sintra, da construção de um verdadeiro hospital que sirva a população de Sintra. Recentemente, a câmara passou o Hospital de Sintra para o Serviço Nacional de Saúde, mas esta unidade é uma unidade hospitalar de retaguarda do Amadora-Sintra e também não entrou em funcionamento”, destacou.

Em dezembro do ano passado, a Câmara Municipal de Sintra entregou o edifício do novo Hospital de Sintra ao Serviço Nacional de Saúde, que começou a ser construído em 2021 no Bairro da Cavaleira, na freguesia de Algueirão-Mem Martins, ao SNS, num investimento da autarquia superior a 62 milhões de euros que irá beneficiar 400 mil utentes.

Segundo o vereador da CDU, a situação tem de ser resolvida com urgência, pois está a levar os utentes a recorrer aos hospitais e aos seguros privados, o que “é verdadeiramente dramático”.

“O problema continua a ser o mesmo: ou o Governo passa a investir de facto no Serviço Nacional de Saúde ou contribuí para aquilo que é a diminuição da qualidade e a destruição do Serviço Nacional de Saúde. (…) Não há médicos. Em Sintra temos mais de 130 mil utentes sem médico de família. Por isso, os utentes de Sintra e da Amadora decidiram organizar esta manifestação à porta do hospital”, disse.

Na semana passada, a Ordem dos Médicos (OM) alertou que o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) está a trabalhar “muito abaixo dos limites” de segurança clínica e pediu a intervenção imediata do Ministério da Saúde para garantir serviços adequados à população.

Na sequência do alerta da OM, a ministra da Saúde convocou o Conselho de Administração do hospital para uma reunião.

Um dia depois da reunião, os membros do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Amadora/Sintra apresentaram a sua demissão à ministra da Saúde e ao diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde.

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