Ventura remete avaliação dos deputados para eleitores e recusa “disciplinadores” no parlamento

O presidente do CHEGA defendeu hoje que devem ser os eleitores a avaliar o comportamento dos políticos e recusou que os deputados possam ser "disciplinadores" uns dos outros.

© Folha Nacional

“Eu acho que quem deve avaliar os políticos, quem deve avaliar os deputados, são os eleitores. Nós não fomos eleitos para ser nem professores, nem disciplinadores uns aos outros, e acho que são os eleitores que devem ver em que partido se reveem e em que partido as atitudes se condensam e se identificam”, afirmou André Ventura, falando aos jornalistas na Assembleia da República antes do início dos trabalhos no plenário.

A conferência de líderes decidiu hoje que o debate sobre um eventual agravamento de sanções a deputados com conduta considerada grave no parlamento vai feito no âmbito de um grupo de trabalho já existente para a revisão do Código de Conduta dos Deputados.

O PS apresentou uma proposta para a revisão do Código de Conduta dos Deputados e propõe que um deputado possa ser retirado da sala de sessões em caso de reiterada conduta grave, a possibilidade de suspensão de participação em ações externas em representação do parlamento e a introdução da figura da admoestação.

“A democracia faz-se com debate, não se faz com perseguição nem com castigo”, defendeu o líder do CHEGA perante os jornalistas, considerando que “basta ver o historial dos apartes da Assembleia da República para ver com muita facilidade o nível de insultos e o nível de ataques que desde 1974”.

Afirmando que agora existe “um partido que lhes toca com o dedo na ferida”, acusou os outros partidos de usarem “os insultos como forma de perseguição política” e de tentarem “atacar o CHEGA”.

André Ventura assinalou também que o secretário-geral do PS se referiu aos deputados do seu partido como “um bando de delinquentes” e questionou se as novas regras propostas pelo PS preveem que Pedro Nuno Santos fosse “expulso do parlamento”.

Ventura acusou ainda Pedro Nuno de “falta de vergonha na cara”, de ser o “líder do PS mais fraco e mais frouxo dos últimos anos” e ainda de ser “uma marioneta do Governo”.

Minutos depois de falar aos jornalistas, no arranque da sessão plenária desta tarde, André Ventura interpelou o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, para o questionar sobre se haverá alguma sanção para as palavras o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, por ter apelidado o CHEGA de “bando de delinquentes”.

Aguiar-Branco alegou que Ventura não fez o uso correto da figura regimental da interpelação à mesa, apelou ao cumprimento das regras que regem os trabalhos parlamentares e sublinhou que, ao contrário do que foi afirmado pelo líder do CHEGA , o PS não apresentou qualquer regime sancionatório, mas sim ajustamentos, por exemplo, no código de ética.

“Vai haver um grupo de trabalho, entre os quais também o CHEGA estará presente, para com base nessa reflexão, poderem propor alguns ajustamentos que se mostrem adequados para que o debate democrático se faça com mais urbanidade e com mais respeito entre todos os senhores deputados”, disse.

Pelo PS, a deputada Marina Gonçalves disse não querer alimentar esta discussão no plenário, por preferir que seja feita nos “sítios próprios”, e acusou André Ventura de não ter estado “atento” ao que foi debatido na conferência de líderes e de querer “desviar a atenção” do comportamento da sua bancada.

Últimas de Política Nacional

Referências às FP-25 e acusações sobre a Constituinte levam antigos deputados da extrema-esquerda e da esquerda a sair do hemiciclo em protesto. "Essa é a verdade! Não vale a pena sair porque a verdade continuará a ser dita da mesma forma", diz o presidente do CHEGA quando começam a abandonar a sala.
André Ventura defende a abertura de um debate e a revisão da Constituição, no ano em que se assinalam os seus 50 anos, criticando referências à extrema-esquerda e recordando vítimas de violência política.
O CHEGA apresentou um projeto de resolução no Parlamento onde defende um reforço das medidas de proteção para os cidadãos portugueses e lusodescendentes que vivem na Venezuela, face à instabilidade política e social que continua a marcar o país.
Portugal passa a ter uma nova lei da nacionalidade, com o CHEGA a garantir a introdução da perda de nacionalidade para condenados por crimes graves.
O presidente do CHEGA propõe a criação de uma pena acessória de perda de nacionalidade para condenados e rejeita a atribuição meramente formal da cidadania, defendendo uma ligação efetiva a Portugal.
A nova empresa do ex-ministro do Ambiente do PS Duarte Cordeiro, a consultora Shiftify, concentra figuras com ligações ao Partido Socialista na sua estrutura.
O CHEGA garantiu a aprovação de um conjunto de alterações profundas ao modelo de mobilidade aérea para as Regiões Autónomas, numa decisão que o partido considera essencial para pôr fim às falhas que têm marcado o acesso às ligações entre o continente, a Madeira e os Açores.
O presidente do CHEGA revelou hoje que não foi possível chegar a acordo sobre a lei da nacionalidade e vai avançar com “propostas próprias e autónomas”, acusando o PSD de não conseguir “ser menos socialista do que os socialistas”.
O CHEGA quer que os profissionais da Força Especial de Proteção Civil passem a ser reconhecidos como profissão de desgaste rápido, defendendo que as funções que exercem justificam regras específicas no acesso à aposentação.
A carga fiscal em Portugal manteve-se em níveis elevados em 2025, fixando-se nos 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ligeiramente acima dos 35,2% registados no ano anterior.