Cruz Vermelha lança campanha para responder aos elevados pedidos de apoio

A Cruz Vermelha Portuguesa começou esta quinta-feira uma campanha nacional de recolha de bens essenciais, com presença em mais de 630 superfícies comerciais, para "fazer face ao aumento alarmante dos pedidos de apoio", de 126% nos últimos dois anos.

© facebook/cruzvermelhaportuguesa.oficial

Em comunicado, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) faz um “apelo urgente à solidariedade nacional”, para que os portugueses contribuam para a campanha “Vale+”, que começa hoje e se prolonga até ao dia 05 de março.

“Em 2024, a CVP registou um aumento acumulado de 126% nos pedidos de ajuda em relação a 2022, com um crescimento de 73% em 2023 e mais 53% em 2024. As solicitações de bens de primeira necessidade dispararam 62% num só ano, colocando a instituição sob enorme pressão para garantir respostas imediatas a famílias em situação de vulnerabilidade”, refere a CVP.

Salienta que o risco crescente de pobreza e exclusão social afeta trabalhadores, desempregados, inativos, famílias monoparentais e numerosas, o que demonstra a dificuldade do país em fazer uma recuperação económica e social.

A CVP adianta que as suas estruturas locais dão apoio alimentar a mais de 35 mil pessoas, tanto através da entrega de bens, como de cartões alimentares, salientando que se trata de um apoio que “não se limita a fornecer alimentos, mas faz parte de um processo mais amplo de capacitação e empoderamento, promovendo maior dignidade e autonomia na escolha dos alimentos”.

“Estamos perante uma verdadeira emergência social. Nunca, em décadas de história da CVP, tivemos um crescimento tão abrupto nos pedidos de apoio. A nossa capacidade de resposta está no limite e precisamos, mais do que nunca, do apoio da sociedade para continuar a ajudar quem mais necessita”, alerta António Saraiva, presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, citado no comunicado.

A CVP refere que tem havido “uma mudança preocupante no perfil de beneficiários”, ao mesmo tempo que cresce “de forma alarmante (…) o número de pessoas empregadas que, apesar de terem trabalho, não conseguem cobrir despesas básicas como alimentação e habitação”.

“Esta crise não distingue estatutos. Já não estamos apenas a apoiar desempregados ou populações vulneráveis, mas também famílias com rendimentos médios e baixos que foram empurradas para a insegurança financeira. A campanha ‘Vale +’ é uma peça essencial para garantir que estas pessoas tenham o mínimo de dignidade”, sublinha António Saraiva.

Segundo a CVP, o leite, o azeite, o atum e os produtos de higiene estão entre os bens não perecíveis mais procurados, enquanto os cartões alimentares são considerados essenciais para a aquisição de produtos frescos e dietas específicas. Estes cartões permitem uma escolha mais adequada às necessidades individuais e familiares, garantindo uma alimentação equilibrada e respeitando restrições alimentares.

Para participar na campanha, é possível entregar alimentos e produtos de higiene diretamente nas lojas aderentes, aos voluntários da CVP, comprar vales de alimentos ou doar vales monetários.

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