DECO alerta para desigualdades no acesso a medicamentos e pede revisão das comparticipações

A DECO PROteste alertou hoje para desigualdades no acesso ao medicamento em Portugal, apelando à revisão do sistema de comparticipação, que diz deixar desprotegidos cidadãos mais vulneráveis.

©D.R.

Num estudo que fez aos 15 medicamentos sujeitos a receita médica de maior valor de venda em Portugal, concluiu que, embora o país não tenha os preços de medicamentos mais elevados, o sistema de comparticipação atual deixa alguns cidadãos vulneráveis desprotegidos, “comprometendo o acesso a cuidados de saúde essenciais”.

Na análise, foram comparados os preços destes 15 medicamentos – que incluem fármacos usados para a diabetes, colesterol, insuficiência cardíaca crónica, refluxo gastroesofágico, risco de coágulos sanguíneos e asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica – com os praticados na Bélgica, em Espanha e em Itália.

No comparador com Portugal a DECO PROteste calculou quanto paga um utente sem doenças crónicas, com rendimento anual entre 18.000 e 100.000 euros, concluindo que em Itália estes fármacos são quase todos gratuitos para o utente.

Já em Portugal, o sistema de comparticipações “nem sempre garante que os utentes paguem menos do que noutros países europeus”. Nalguns casos, apesar da comparticipação do Estado, o utente Português é o que mais paga, como no medicamento analisado que é usado em casos em doenças cardiovasculares e que tem o rivaroxabano como substância ativa. Ainda assim, todos têm genéricos.

O mesmo acontece com os medicamentos analisados e que são usados em casos de colesterol ou de refluxo gastroesofágico.

“O nosso sistema de comparticipações é complexo e por camadas, o que pode levar a situações de desigualdade no acesso a medicamentos”, considera Nuno Figueiredo, porta-voz da DECO PROteste.

O responsável diz que, embora existam regimes especiais para certas doenças e grupos sociais, “o sistema deixa desprotegido quem é mais vulnerável do ponto de vista socioeconómico, como portadores de doenças crónicas que não sejam elegíveis para os regimes especiais, tenham baixos rendimentos e não sejam idosos”.

Os dados referentes aos 15 medicamentos analisados mostram que são os utentes espanhóis os que mais pagam para a maior parte deles e os italianos os que têm quase todos gratuitos, uma situação que acontece com sete dos fármacos no caso da Bélgica.

Recordando que “não existem sistemas perfeitos”, a DECO sublinha que as políticas de comparticipação nem sempre protegem os utentes de custos elevados e é em Espanha que a situação é mais preocupante.

A DECO PROteste defende uma revisão do sistema de comparticipações em Portugal, para ”garantir maior equidade e acesso justo a medicamentos essenciais” para todos os cidadãos, independentemente da sua condição socioeconómica.

Propõe ainda que o sistema “seja repensado”, sem pôr em risco a sustentabilidade do sistema de saúde, e que seja promovida a literacia em saúde, para que “tanto os profissionais como os utentes entendam o sistema de comparticipação e tomem decisões que beneficiem todos”.

As regras de comparticipação são definidas por casa estado-membro e, por isso, cada país tem o seu sistema próprio.

Em Portugal, Espanha e Itália, por exemplo, os cuidados de saúde são dispensados a todos os cidadãos no contexto de um Serviço Nacional de Saúde, financiado pelos impostos. Já na Bélgica vigora um Seguro de Saúde Social obrigatório, financiado através das contribuições de empresas, trabalhadores e Estado.

As comparticipações também diferem de país para país e, por exemplo, em Itália todos os medicamentos essenciais prescritos no setor público são gratuitos para o utente, mas quando há genéricos o Estado paga apenas até ao valor do que for mais barato.

O sistema português também prevê uma lista de medicamentos elegíveis para comparticipação, os fármacos para tratar doenças incapacitantes ou crónicas têm maior ajuda do Estado e há quatro níveis de comparticipação: 15%, 37%, 60% e 90% do preço de venda ao público.

Quando há genéricos para uma substância ativa, as regras são diferentes. Forma-se um “grupo homogéneo” – que inclui medicamentos de marca e genéricos do mesmo principio ativo, com a mesma dosagem, o mesmo modo de administração e a mesma forma farmacêutica – e fixa-se um preço de referência (ao qual se aplica a comparticipação), que corresponde à média dos cinco preços de retalho mais baixos dos fármacos do grupo homogéneo.

Últimas do País

O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Luís Duarte Costa, demitiu-se no final de fevereiro do cargo de diretor do Serviço de Urgência Geral (SUG) da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra, revelou hoje o médico à Lusa.
O casal suspeito de ter negligenciado a prestação de cuidados de saúde, alimentação e higiene a uma mulher de 98 anos foi hoje condenado pelo Tribunal de Setúbal a 22 e 20 anos de prisão.
As despesas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com a contratação de prestadores de serviço aumentaram em 2025 para mais de 266 milhões de euros, sobretudo com médicos tarefeiros, revelam dados hoje divulgados.
A vítima foi vista a deambular ferida durante a madrugada, antes de ser socorrida e levada para o hospital em estado crítico, após um ataque cuja origem ainda é desconhecida.
Em menos de meio minuto, dois assaltantes abriram uma porta blindada e invadiram um apartamento no centro de Viseu, levando joias de elevado valor num golpe rápido e calculado.
A PSP deteve mais de três mil condutores no primeiro trimestre do ano, quase metade por condução em estado de embriaguez, meses em que registou mais acidentes e feridos graves, mas igual número de mortos, face ao período homólogo.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) anunciou esta terça-feira, 14 de abril, que apreendeu mais de 39 mil litros de vinho no âmbito de uma fiscalização nos concelhos de Lamego, Fafe, Maia, Lousada, Viseu e Tondela.
As provas-ensaio do 4.º, 6.º e 9.º anos arrancam hoje para testar o formato digital em que irão realizar-se as avaliações externas a partir do final de maio e garantir que os alunos estão familiarizados com a plataforma.
Quatro organizações alertaram hoje para a existência de mais de 600 mil pessoas em pobreza energética severa, para as quais as soluções são pouco eficientes, e deixaram sugestões, como programas mais estruturados e integrados.
A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste (CPDLO) exige a reposição gradual do transporte de passageiros no troço Meleças/Caldas da Rainha, considerando inaceitável que dois meses e meio depois das intempéries haja locais sem qualquer reparação.