FPF “surpreendida” com buscas da PJ na sede e promete intensificar auditoria

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) foi hoje “surpreendida” com a realização de buscas por parte da Polícia Judiciária (PJ) na sua sede, por suspeitas de crimes como corrupção e fraude fiscal, e promete intensificar medidas de auditoria.

© Facebook da PJ

“A direção da FPF foi surpreendida com a realização de buscas por parte de elementos da PJ, no âmbito de um processo que envolve a investigação de negócios relativos a anteriores mandatos, nomeadamente aos anos entre 2016 e 2020”, pode ler-se na nota divulgada pelo organismo.

A federação promete ser “totalmente inflexível na defesa dos interesses da instituição” e vai intensificar as medidas de auditoria entretanto iniciadas, em 17 de março, e vai constituir-se assistente em quaisquer processos judiciais que sejam desencadeados pela investigação da Operação Mais Valia.

“A FPF irá até às últimas consequências face a qualquer prática ilícita ou criminal que venha a ser apurada e agirá de forma absolutamente intransigente relativamente a todas e quaisquer pessoas que tenham lesado os seus interesses”, acrescentam.

Este organismo é agora liderado por Pedro Proença, que em fevereiro deste ano sucedeu a Fernando Gomes, presidente nos últimos 13 anos.

As buscas estão relacionadas com a venda da antiga sede da FPF, em 2018, na rua Alexandre Herculano, em Lisboa, por mais de 11 milhões de euros, adiantou a PJ em comunicado, tendo fonte policial confirmado à Lusa que foram constituídos arguidos, até agora, um empresário e um antigo secretário geral da federação.

Em causa estão suspeitas dos crimes de recebimento indevido de vantagem, corrupção, participação económica em negócio e fraude fiscal, confirmou esta polícia.

Também em comunicado, a PJ avançou que, durante a investigação, “foram identificadas um conjunto de situações passíveis de integrarem condutas ilícitas relacionadas, sobretudo, com a intermediação da venda” do edifício em questão.

Durante o dia de hoje foram cumpridos 20 mandados de busca em casas, uma instituição bancária e sociedades de advogados localizados nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém.

A investigação, que teve início em 2021, está a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e vai continuar “com a análise à prova agora recolhida e com os competentes exames e perícias”.

O edifício da sede da Federação Portuguesa de Futebol foi vendido em 2018, altura em que Fernando Gomes era presidente da FPF, cargo que deixou em fevereiro deste ano, sendo sucedido por Pedro Proença, e toma hoje posse como presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP).

O antigo basquetebolista profissional e dirigente do FC Porto, de 73 anos, liderou os destinos da FPF durante 13 anos e a cerimónia de empossamento no COP, marcada para hoje às 18:00, com presença prevista do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

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