Hernâni Dias “não dava para governante, mas dá para cabeça de lista”

O Presidente do CHEGA, André Ventura, criticou hoje a escolha do ex-secretário de Estado Hernâni Dias para um dos cabeças de lista do PSD nas próximas eleições legislativas, considerando que "mostra a desorientação de Luís Montenegro".

© Gov

“Aparentemente a lógica do PSD de afastar pessoas suspeitas ou condenadas, ou pessoas com suspeitas éticas sobre elas, acabou”, afirmou, em declarações aos jornalistas antes de contactar a população no concelho da Amadora (distrito de Lisboa).

O Presidente do CHEGA afirmou que Hernâni Dias saiu do Governo “porque tinha aberto uma imobiliária enquanto era governante”, passando a deputado, e agora vai liderar a lista da coligação PSD e CDS-PP por Bragança.

“Não dava para ser governante, mas dá para ser cabeça de lista por Bragança. Isto mostra a desorientação de Luís Montenegro”, criticou.

André Ventura criticou também a escolha do presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, que é terceiro na lista de candidatos do PSD à Assembleia da República pelo círculo de Vila Real.

“Fernando Queiroga foi condenado judicialmente por crimes económicos e está na lista do PSD por Vila Real, em lugar elegível”, afirmou, considerando que ou os partidos levam “a sério isto, e quando há situações tiram consequências delas, ou então estão a brincar e a falar de ética só por falar”.

“Eu lembro-me que a AD dizia que corrupção e falta de ética já não dá para continuar, eram os ‘outdoors’ que tinham o ano passado, mas quer dizer, apresentam candidatos que têm comprovadamente falta de ética e alguns deles já estão condenados”, acusou, considerando que se isso acontecesse com o CHEGA abriria “todos os jornais da noite”.

André Ventura apelou ao primeiro-ministro que esclareça estas escolhas, lembrando que Luis Montenegro classificou como “uma imprudência” a atitude de Hernâni Dias, e defendeu que o líder do executivo “deve responder para bem da integridade da campanha eleitoral”.

“Se queremos mesmo ter uma campanha eleitoral de exigência ética e de luta contra a corrupção ou se vamos manter o mesmo esquema de sempre, e aparentemente o PSD vai manter o mesmo esquema de sempre”, acusou.

O Presidente do CHEGA foi questionado também sobre o modelo dos debates televisivos entre os partidos com representação parlamentar, e voltou a indicar que o partido quer mais debates em canal aberto.

“O PSD tem sete debates em canal aberto e o CHEGA tem dois, quando temos uma diferença de sete pontos percentuais, isso não faz sentido nenhum”, defendeu, referindo que o seu partido tem o mesmo número de debates em canal aberto e fechado do que, por exemplo, o Livre, que elegeu quatro deputados, enquanto o CHEGA elegeu 50.

Ventura considerou também que “é um certo desrespeito [Luís Montenegro] não debater com alguns partidos parlamentares quando se é candidato a primeiro-ministro” e pediu razoabilidade, mostrando-se convicto de que será possível encontrar uma solução.

Hernâni Dias demitiu-se de secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território em dia 28 de janeiro, depois de ter sido noticiado pela RTP que criou duas empresas imobiliárias já enquanto governante, responsável pelo decreto que altera o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial, a polémica lei dos solos.

O ex-governante retomou depois o mandato como deputado do PSD na Assembleia da República.

André Ventura visitou hoje a Amadora, onde percorreu algumas ruas da cidade, e referiu que este “é um dos concelhos” onde “mais se têm feito sentir” questões relativas a habitação e imigração.

“Não há provavelmente nenhum concelho no país, nenhum, onde o controle da imigração e a fiscalização da habitação seja tão importante como aquele que temos aqui hoje”, defendeu.

Últimas de Política Nacional

André Ventura deixou esta sexta-feira um desafio direto ao Partido Socialista: apoiar as propostas do CHEGA para baixar os impostos sobre os combustíveis e a aprovar o IVA Zero no cabaz alimentar. O líder do partido acusa o PS de “hipocrisia” e avisa que um chumbo deixará os socialistas sem argumentos depois das posições assumidas durante o verão.
Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.