“Mulher que recebeu um piropo e nunca gostou é mentirosa ou hipócrita”, diz professor acusado de assédio

Boaventura de Sousa Santos nega todas as acusações de assédio sexual e moral de que foi alvo, mas não exclui "que tenha havido irregularidades" no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

© LUSA/PAULO NOVAIS

Boaventura de Sousa Santos, professor no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra e sociólogo, que foi acusado de assédio por várias alunas, referiu agora, numa entrevista à CNN Portugal, que “qualquer mulher que diga que recebeu um piropo e nunca gostou é mentirosa ou hipócrita” o que contradiz com as suas posições políticas, uma vez que tem várias ligações à esquerda e extrema-esquerda que alegam defender as mulheres.

“Qualquer homem da minha idade que diga que, nos anos 1960 ou 1970, não fez um piropo ou um galanteio a uma mulher, ou é mentiroso ou hipócrita. E qualquer mulher desta idade, que também naquela época, recebeu um piropo ou um galanteio e nunca gostou é mentirosa ou hipócrita”, afirmou o sociólogo.

Boaventura é conhecido pelo seu alinhamento político com a esquerda, tendo afirmado, num artigo de opinião publicado no Jornal Público, que sempre votou no Bloco de Esquerda, à exceção de uma vez. Além disso, o sociólogo tem vários artigos de opinião publicados no jornal online esquerda.net, ligado ao Bloco de Esquerda, que considera os direitos das mulheres uma das suas bandeiras, o que revela uma incoerência entre as suas afirmações públicas e as acusações de que é alvo ou mesmo hipocrisia da sua parte.

Boaventura de Sousa Santos nega todas as acusações de assédio sexual e moral de que foi alvo, mas não exclui “que tenha havido irregularidades” no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. “Eu é que não as cometi”, declarou o sociólogo.

 

Da defesa dos Direitos das Mulheres às acusações de assédio

Em março de 2024, foi divulgada uma carta subscrita por treze mulheres onde relatavam comportamentos pouco apropriados a nível profissional e até mesmo assédio e violência por parte do professor em troca de benefícios académicos.
Segundo a Sábado, Sara Araújo referiu que quando trabalhava com Sousa Santos existiam momentos que se tornavam numa “tortura psicológica” por o sociólogo usar “o sexo como moeda de troca para uma ascensão de carreira”.
“Ele excluiu-me da coordenação de todos os projetos em que eu tinha investido a minha dedicação”, acusou a investigadora que recusou envolver-se com o diretor do CES.
O professor universitário que, segundo esta revista, convidava as alunas para reuniões na sua casa “onde ele aparecia vestido apenas de robe ou de pijamas” e “fazia comentários de caráter sexual sobre seus corpos” e que o mesmo tinha “episódios de explosão de raiva”.

Um relatório da Comissão Independente do CES confirmou a existência de indícios de assédio sexual.

Últimas do País

O sindicato de chefias da guarda prisional associou-se a uma providência cautelar apresentada por uma associação, que pretende impedir que mulheres transgénero sem o processo de transição físico completo sejam colocadas em prisões femininas.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) estimou hoje que no segundo período de aulas houve todas as semanas cerca de 40 mil alunos sem pelo menos um professor, resultado da falta de docentes nas escolas.
Decisão do Tribunal Constitucional obriga membros do Governo a revelar clientes, serviços e saldos bancários. Ao todo, 15 governantes ficam sujeitos a novas regras de transparência impostas pelo Constitucional.
A Comissão Europeia aprovou hoje um pacote de 250 milhões de euros de ajudas estatais ao setor florestal em Portugal para reflorestar áreas afetadas e compensar proprietários, com subvenções e válido até 31 de dezembro de 2029.
Contrato de quase 14 mil euros revela problema persistente na residência oficial do primeiro-ministro. Estado já gastou milhões no combate a pragas.
A ilha da Madeira está esta segunda-feira sob aviso amarelo devido à previsão de vento forte, anunciou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O CHEGA quer que as zonas afetadas por calamidades passem a beneficiar de incentivos fiscais, propondo que sejam equiparadas, de forma temporária, a territórios do interior para efeitos de acesso a benefícios previstos na lei.
O tempo de espera no controlo de fronteira no aeroporto de Lisboa atingiu hoje um pico de duas horas para quem chegou pelas 08h30, mas posteriormente para menos de uma hora, segundo a PSP e a ANA.
Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está a desenvolver um método não invasivo para identificar pacientes com maior risco de défice cognitivo após Acidente Vascular Cerebral (AVC), foi divulgado hoje.
O incêndio que deflagrou na tarde de sábado no Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Terras de Bouro, distrito de Braga, continua hoje ativo, mas sem “pontos sensíveis”, disse à Lusa fonte do Comando Sub-Regional do Cávado.