Autoridades atentas a eventual uso de Portugal para transformação de drogas sintéticas

O oficial de ligação da Polícia Judiciária (PJ) no Sistema de Segurança Interna (SSI) garantiu hoje que as autoridades estão atentas à eventual utilização de Portugal como ponto de transformação e de passagem de drogas sintéticas.

© Facebook da PJ

“Em Portugal, aquilo que tem acontecido mais frequentemente é haver laboratórios de conversão de cocaína-base para cloridrato de cocaína. Porém, não é de espantar que possam surgir laboratórios para transformação para drogas sintéticas. […] É algo a que estamos sempre atentos”, assegurou António Dias, à margem do colóquio “Drogas Sintéticas: Riscos, Impactos e Prevenção”, organizado pelo SSI e que hoje decorre no Centro Cultural de Cascais.

O coordenador de investigação criminal da PJ falava à Lusa depois de representantes da Europol, da Interpol e da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA, na sigla oficial) terem alertado, em resposta a uma pergunta do diretor nacional da PSP, para a eventualidade de o país vir a ser usado como ponto de passagem e transformação de drogas sintéticas.

Além das substâncias mais tradicionais, como o ecstasy, têm-se popularizado mundialmente também o consumo de cetamina, de fentanil e, mais recentemente, de nitazeno, um opiáceo 140 vezes mais potente do que a heroína.

Esta última droga sintética foi já detetada em Portugal.

“Já houve algumas pequenas amostras que foram apreendidas no nosso país, o que é natural, às vezes até por importação direta dos próprios consumidores”, reconheceu o oficial de ligação da PJ no SSI.

António Dias manifestou ainda a sua preocupação por as drogas sintéticas, vendidas sobretudo online, serem “muito mais fáceis de esconder”, uma vez que em causa estão substâncias que mesmo em “ínfimas quantidades podem provocar danos bastante graves”.

“Esta ideia de que as drogas podem ser leves é uma grande falácia. As drogas hoje em dia são todas duras e perigosas, e as drogas sintéticas ainda mais”, alertou, no primeiro painel do colóquio, Rogério Magalhães, inspetor-chefe da PJ.

O investigador criminal acrescentou que atualmente os habitantes do Sul da Europa estão “numa fase de adaptação” a estas substâncias e de “incremento do seu consumo”, até agora mais comum no Norte da Europa e no sudeste asiático.

“Temos de estar bem informados. Devemos aproveitar o benefício de não ter o problema para nos prepararmos para a eventualidade de o virmos a ter”, sublinhou, no mesmo painel, Rui Costa, subintendente da PSP.

Presentemente, estão identificadas mais de mil substâncias, das quais só cerca de 900 constam das tabelas da Lei de Combate à Droga, precisou, no último painel da manhã, Félix Carvalho, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

“O problema é que cada semana que passa temos uma nova substância psicoativa”, lamentou, criticando, tal como outros especialistas presentes na iniciativa, a ausência de uma atualização regular daqueles quadros.

Graça Vilar, do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), afastou-se da crítica, mas corroborou que, “em termos de saúde pública”, é como “estar sempre desconfiado com o aparecimento de uma substância”.

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