Associação de cuidados continuados diz que único aumento garantido é de 2,4%

A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) afirmou hoje que o único aumento que está garantido pelo Governo para as instituições este ano é de 2,4%, de acordo com a taxa de inflação de 2024.

© D.R.

“É só isto que está garantido. Tudo o resto é pura falácia”, referiu à Lusa o presidente da ANCC, depois de o Ministério da Saúde ter adiantado, no sábado, que vai aumentar em média em 18,9% o valor pago às instituições da rede nacional de cuidados continuados integrados (RNCCI), de acordo com uma portaria a publicar na próxima semana.

Segundo o ministério de Ana Paula Martins, este aumento médio de 18,9% é composto pela soma de duas componentes – a atualização dos preços a pagar às instituições da rede, face à inflação anual registada de 2,4%, e o novo regime designado Ponto Parceiro SNS.

“O que vai sair na próxima semana é um aumento muito curto de 2,4%, que decorre da lei desde há muitos anos a esta parte, e que é aumentar os cuidados continuados com base no índice de preços ao consumidor do ano anterior”, salientou José Bourdain.

Quanto ao Ponto Parceiro SNS, o presidente da associação referiu que o Governo tinha previsto anteriormente que essa nova medida permitiria às instituições poupar 8%, os quais a juntar aos 2,4% de aumento definidos na portaria, não chegariam aos 18,9% de acréscimo anunciado.

“O Governo estimou que a medida iria poupar 8% às unidades, é como se fosse um aumento de 8% para as unidades, e inventaram este aumento de 18,9%”, lamentou José Bourdain.

O presidente da ANCC alertou ainda que, “nem de longe, nem de perto”, a atualização de 2,4% dos preços a pagar à rede chega para suportar os encargos das instituições com os aumentos de salários, o que vai manter a situação de subfinanciamento das várias valências que asseguram.

Além disso, de acordo com José Bourdain, muitas unidades “estão a fazer um esforço enorme de ir à banca” para financiar os investimentos previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que, neste momento, apresenta “prazos impossíveis” para concretizar as obras.

“Os custos com as obras estão cada vez mais caros, não há mão de obra suficiente e as empresas de construção dão-se ao luxo de escolher as obras que vão ganhar bom dinheiro”, realçou José Bourdain.

Essa situação está a originar que muitos concursos lançados pelas instituições para novas camas das várias valências de cuidados continuados fiquem desertos, alertou o responsável da associação, para quem o Governo “facilmente resolvia este problema”, se isentasse as entidades sem fins lucrativos da contratação pública.

“Estou a ver que o PRR vai ser um fiasco, não vamos executar os fundos e vamos perder o dinheiro”, avisou.

Últimas do País

A ministra da Justiça disse hoje que durante este ano vão ser criadas 670 vagas nas prisões, após uma reorganização dos estabelecimentos prisionais, uma vez que no ano passado se registou um aumento de mais de 700 presos.
Um professor de 38 anos foi detido na segunda-feira por ser suspeito de crimes de abuso sexual de crianças, em contexto escolar, contra um menor de 12 anos com perturbação neurológica permanente, informou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul revelou, esta terça-feira, que a "situação crítica" vivida nas urgências do Hospital Amadora-Sintra de sexta-feira para sábado levou à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) suspendeu 11 estabelecimentos comerciais "por violação dos deveres gerais de atividade" e instaurou um processo-crime por géneros alimentícios "avariados", foi hoje divulgado.
Número de utentes sem médico voltou a subir em dezembro: soma três meses consecutivos de agravamento e termina o ano com mais 40 mil pessoas a descoberto do que em 2024.
Os trabalhadores da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra apresentam níveis moderados de stress, ‘burnout’ e problemas de sono, que sugerem desgaste profissional acumulado, compatível com contextos de elevada pressão assistencial e organizacional.
Falta de profissionais, pico de gripe e corredores cheios levam equipa a protestar logo às 8 da manhã. Administração admite pressão extrema e promete soluções.
Portugal atravessa um ciclo raro e prolongado de excesso de mortalidade: há 26 dias consecutivos com óbitos acima do esperado, vários deles a ultrapassar os 400 mortos por dia.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou hoje um diploma que altera a lei de revisão do Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP).
O aeroporto de Lisboa é hoje reforçado com 24 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), uma medida do Governo para reduzir os tempos de espera na zona das chegadas.