Rede Anti-Pobreza diz que Portugal está “sempre a correr atrás do prejuízo” na habitação

A presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza considerou hoje que Portugal “está sempre a correr atrás do prejuízo” em matéria de habitação e tem de “agir de forma urgente” para evitar que mais crianças fiquem “marcadas para a vida”.

© DR

“É um drama humano. Não é aceitável que crianças e famílias se encontrem a viver na rua quando Portugal tem feito um caminho de desenvolvimento. Mas não queremos só desenvolvimento, queremos qualidade de vida. As políticas públicas em Portugal são insuficientes na garantir de direitos para todos. Há muita reflexão e muito conhecimento do problema, mas há falta de intervenção tempestiva, ou seja, a tempo de evitar os problemas”, disse Joaquina Madeira.

No Porto, à margem do seminário internacional Migrações e Cidadania: Políticas e Práticas organizado pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN, na sigla em inglês), Joaquina Madeira comentou os dados hoje tornados públicos sobre o acompanhamento do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Segundo o relatório de atividades da instituição, no âmbito dos três níveis de intervenção do IAC, em 2024 foram acompanhadas diretamente 953 crianças e jovens, mais 305 beneficiários do que no ano passado.

O IAC acompanhou 45 crianças e jovens em contexto de rua em 2024 e, desses casos, 34 tinham fugido de casa ou de uma instituição, sendo que destes, 13 já haviam sido sinalizados, enquanto os restantes 21 são novas sinalizações reportadas por outros organismos. Destes 21 jovens, o IAC conseguiu encontrar 19.

Há ainda registo de 11 situações que dizem respeito a casos de mendicidade, irmãos de jovens que fugiram ou crianças a viver com os pais em rulotes, na rua.

Para Joaquina Madeira “as causas estão a montante”, ficando à vista “consequências que mostram que algo está a faltar ao nível das políticas públicas na habitação, em primeiro lugar, mas também em outros domínios”.

“Estamos sempre a correr atrás do prejuízo. Não antecipamos o problema. O problema da habitação é esse. Nunca tivemos uma política pública de habitação. É a política que estava menos desenvolvida e chegamos aos sintomas. Há que agir de forma urgente num problema que é estrutural”, defendeu.

Joaquina Madeira alertou que em causa estão “crianças que vão ficar marcadas para a vida” porque, lamentou, “a vivência de uma situação destas de exclusão, a falta de condições de frequentar uma escola com sucesso, por exemplo, tem implicações imensas”.

“Estas crianças têm direito a condições para terem uma vida segura, protegida e cuidada”, concluiu.

Últimas do País

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alargou para nove os distritos de Portugal continental sob aviso amarelo devido ao tempo frio, que foi prolongado até quarta-feira, devido à persistência de valores baixos da temperatura mínima.
As urgências dos hospitais do país tinham, às 08:15 de hoje, 507 doentes à espera de primeira observação, com tempos médios de cinco horas e 39 minutos para os urgentes e de 55 minutos para os muito urgentes.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou seis distritos de Portugal continental sob aviso amarelo devido a tempo frio entre a meia-noite de segunda-feira e as 09:00 de terça-feira.
Vinte e três pessoas morreram e 51 ficaram gravemente feridas na sequência de 2.382 acidentes de viação ocorridos nos últimos oito dias, segundo os balanços da GNR e da PSP relativos às operações de Ano Novo.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prolongou até à meia-noite de hoje o aviso amarelo para o distrito de Faro, a advertir para a possibilidade de precipitação por vezes forte, e acompanhada de trovoadas.
A PSP identificou cerca de três dezenas de pessoas numa operação de fiscalização no Bairro Alfredo Bensaúde, em Lisboa, onde terão sido feitos disparos com armas de fogo proibidas na noite da passagem de ano, disse hoje fonte policial.
O número de mortos em acidentes de viação registados pela PSP subiu para seis na última semana, após um despiste na sexta-feira que feriu a morte de dois ocupantes do veículo, segundo o balanço da operação Festas em Segurança.
Quatro pessoas morreram em acidentes de viação na sexta-feira, três em atropelamentos e uma em despiste, elevando para 13 o número de mortos registados pela GNR durante a Operação “Natal e Ano Novo 2025/2026”, iniciada em 27 de dezembro.
Um homem de 25 anos, suspeito da prática de duplo homicídio, do qual foi vítima uma criança de nove anos, na cidade de Setúbal, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) na zona norte do país, foi hoje revelado.
Os maiores tempos médios de espera para doentes urgentes variaram, às 08h30 de hoje, entre as mais de 10 horas no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e quase três horas no Hospital São João, no Porto, segundos dados oficiais.