Número de pessoas que ficam internadas após terem alta aumenta 8% e ultrapassa as 2.300

Um total de 2.342 pessoas continuavam internadas em março nos hospitais públicos após receberem alta clínica, representando mais 8% de internamentos sociais do que no mesmo mês de 2024, indica um estudo divulgado esta quarta-feira.

© D.R.

Os dados constam da nona edição do Barómetro de Internamentos Sociais (BIS), uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), que conclui que, em comparação com março de 2024, verificaram-se mais 178 casos de pessoas em situação de internamento inapropriado.

Apesar de o número de camas ocupadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) por estas situações ter aumentado 8%, o tempo médio dos internamentos diminuiu 10%, mas ainda está em cerca de cinco meses, revela o estudo realizado em parceria com a EY Portugal e com o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e da Associação dos Profissionais de Serviço Social.

Os internamentos inapropriados referem-se aos dias que um doente passa no hospital após receber alta clínica e quando não existe um motivo de saúde que justifique a sua hospitalização.

Os dados do BIS revelam também um total de 367.498 dias de internamentos inapropriados, uma redução ligeira de 3% face ao estudo anterior, mas que reflete o “efeito significativo deste fenómeno” no prolongamento da ocupação das camas hospitalares e a elevada espera para admissão em unidades de cuidados continuados integrados e em lares de idosos.

A falta de resposta da rede de cuidados continuados integrados mantém-se como o principal motivo do número de internamentos sociais (38%), sendo mais evidente no Centro, no Alentejo e no Algarve, seguindo-se a falta de lares de idosos (29%), que tem maior impacto em Lisboa e Vale do Tejo.

De acordo com as conclusões, os internamentos sociais representaram, em março deste ano, 11,7% do total de internamentos nos hospitais públicos, com um custo estimado anual para o Estado que pode ultrapassar os 288 milhões de euros, mais 28 milhões do que no barómetro anterior.

Só em março deste ano, os custos ultrapassavam os 94 milhões de euros para o Estado, bem acima dos 68 milhões de euros do mesmo mês de 2024, alerta ainda o barómetro, que contou com a participação de 41 hospitais públicos, num total de mais de 21.000 camas, representando 96% do total da capacidade do SNS.

“É urgente reforçar a resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados e das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, através de soluções articuladas entre entidades no setor da Saúde, da Segurança Social e do setor social. Mas é também importante reforçar a capacitação das famílias, incluindo com a valorização do papel do cuidador informal”, salientou o presidente da APAH, Xavier Barreto, citado em comunicado.

O barómetro salienta que as instituições possuem “algumas alternativas aos internamentos sociais”, sendo que, no âmbito de uma portaria de 2023, foi possível dar resposta a cerca de mil doentes.

No âmbito desta portaria, os casos sociais que permanecem internados nos hospitais depois de terem alta poderão ser encaminhados para equipamentos públicos, privados ou da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Os resultados da nona edição do barómetro vão ser apresentados hoje, numa sessão que vai decorrer no Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra).

Últimas do País

Cerca de 170 estradas continuam hoje cortadas ao trânsito devido ao mau tempo, incluindo seis troços de autoestradas, e Coimbra é o distrito com mais vias interditas à circulação, segundo a GNR.
As autoridades detiveram cinco pessoas e apreenderam armas e 1,5 toneladas de cocaína numa operação policial em Faro, Setúbal, Aveiro e Guarda, desmantelando uma organização criminosa transnacional, foi hoje divulgada.
O Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, ativado a 01 de fevereiro, foi hoje desativado tendo em conta o desagravamento dos cenários de risco meteorológico e hidrológico, anunciou a Proteção Civil.
A situação das cheias no rio Tejo evolui de forma lenta mas gradual no Médio Tejo e na zona da Lezíria, mantendo-se o alerta amarelo ativo e várias estradas submersas.
O sul do país tem água armazenada que dá para “dois a três anos”, com todas as barragens “literalmente cheias”, afirmou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), admitindo que se podem bater recordes nacionais nas albufeiras.
Cerca de 4.500 clientes da E-Redes nas localidades afetadas pela depressão Kristin, que passou pelo continente em 28 de janeiro, continuavam às 07:00 de hoje sem energia elétrica, segundo a empresa.
A ASAE instaurou dois processos-crime por venda de telhas acima do valor afixado nos concelhos da Batalha (Leiria) e Coimbra, indicou ontem a autoridade, que tem realizado várias ações de fiscalização nas zonas afetadas pelas tempestadas.
Seis distritos do litoral norte e centro estão atualmente sob aviso amarelo, devido à previsão de agitação marítima, disse esta sexta-feira, 20 de fevereiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Pelo menos 157 escolas estiveram encerradas na sequência das tempestades que atingiram Portugal nas últimas semanas, segundo um inquérito divulgado esta quinta-feira pela Missão Escola Pública em que 81 agrupamentos relatam ter sido afetos pelo mau tempo.
O rebentamento do dique dos Casais, em Coimbra, provocou prejuízos de mais de dois milhões de euros nas instalações de uma empresa centenária de produção de plantas ornamentais, cuja reabertura será difícil este ano.