Empresas de energia processam o Estado para reaver mais de 90 milhões pagos em imposto CESE

As três maiores empresas do setor energético exigem a devolução de milhões de euros pagos ao Estado através da Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético (CESE), um imposto criado para financiar a redução da dívida tarifária e apoiar políticas ambientais, mas que, segundo o tribunal, foi aplicado de forma ilegal no setor do gás natural.

© D.R.

As principais empresas de energia em Portugal — EDP, REN e Galp — estão a processar o Estado para tentar recuperar mais de 90 milhões de euros pagos ao abrigo da Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético (CESE). O imposto, criado em 2014 para financiar o setor energético, tem sido contestando há anos nos tribunais e foi declarado inconstitucional no caso do gás natural.

Avança o Jornal Económico, a EDP lidera as impugnações, reclamando 47,7 milhões de euros relativos a 2024, tal como já tinha feito no ano anterior. Também a REN avançou com três ações judiciais, no valor total de 23 milhões, e a Galp contesta cerca de 14 milhões através das empresas Galp Energia e Petrogal.

As empresas argumentam que a CESE é injusta e inconstitucional, e várias delas têm obtido decisões favoráveis dos tribunais, incluindo do Tribunal Constitucional, que em 2025 considerou ilegal a aplicação da taxa ao setor do gás natural. Essa decisão abriu a porta à devolução de dezenas de milhões de euros pagos desde 2018, de acordo com a mesma fonte.

Criada em 2014, recorde-se, a CESE pretendia ajudar a reduzir a dívida do setor energético, mas acabou por ser mantida todos os anos. O Governo decidiu continuar a cobrar o imposto até 2026, embora com isenção para as empresas do gás natural e para novos investimentos elétricos.

Últimas de Economia

Clientes da Galp continuam a relatar atrasos na faturação de eletricidade e de gás, recebendo posteriormente faturas acumuladas com valores elevados, apesar de a empresa ter garantido em março que o problema estava ultrapassado.
A Comissão Europeia está a preparar uma proposta para combater o excesso de arrendamentos de curta duração em cidades da União Europeia (UE), por fazerem aumentar os preços da habitação, defendendo que ter uma casa “é um direito humano”.
O número de passageiros desembarcados nos aeroportos dos Açores voltou a registar uma quebra em abril, com cerca de 178 mil desembarques, menos 12,3% do que no período homólogo, segundo dados divulgados hoje pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).
Os custos de construção de habitação nova aumentaram 5,8% em março face ao mesmo mês de 2025, com a mão-de-obra a subir 8,2% e os materiais 3,7%, segundo uma estimativa hoje divulgada pelo INE.
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a sexta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Alemanha.
O peso das compras de supermercado no orçamento familiar dos portugueses aumentou em 486 euros, entre 2019 e 2025, com os consumidores a adotarem maior prudência nas compras, segundo um inquérito divulgado hoje pela Centromarca.
O número de empresas constituídas até abril recuou 4,6% face aos primeiros quatro meses do ano passado, enquanto as insolvências subiram quase 8% no mesmo período, divulgou hoje a Informa D&B.
O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizados pela Deco Proteste, voltou a subir esta semana para 261,89 euros, mais 3,37 euros do que na semana passada, atingindo o valor mais elevado desde 2022.
Em cada conta da luz e do gás, há uma parte que já não aquece, não ilumina e não alimenta, serve apenas para engordar a carga fiscal. Portugal continua entre os países que mais taxam a energia na Europa.
Os consumidores contrataram em março 944 milhões de euros em crédito ao consumo, valor mais alto de sempre e mais 24,1% que há um ano, enquanto o número de contratos subiu 11,3% para 161.983, divulgou hoje o BdP.