Psicólogos pedem mais investimento na prevenção de maus-tratos infantis

A Ordem dos Psicólogos Portugueses apelou hoje ao Governo mais investimento na promoção de competências parentais e prevenção de maus-tratos infantis nos primeiros 1.000 dias de vida, defendendo que seria gerador de um retorno positivo para a sociedade.

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Em comunicado para assinalar o Dia Universal dos Direitos da Criança que se comemora hoje, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) explicou que “investir em programas de promoção de competências parentais pode gerar um retorno de seis a 16Euro por cada um euro investido” enquanto os programas de prevenção de maus-tratos infantis “asseguram um retorno de sete euros por cada um euro investido”.

A OPP explicou ainda que “os primeiros 1.000 dias incluem os cerca de 270 dias de gravidez e os 730 dias após o nascimento” sendo neste “intervalo que se estabelecem as bases fundamentais da saúde física e psicológica, do desenvolvimento cognitivo e do desenvolvimento socioemocional, influenciando a capacidade de aprender, formar relações saudáveis, integrar a comunidade e prosperar pessoal e profissionalmente”.

Segundo a OPP, as políticas públicas dirigidas a esta fase do ciclo de vida “contribuem, direta e indiretamente, para o desenvolvimento capital humano e para o crescimento social e económico sustentado”.

A OPP apresentou recomendações para políticas públicas entre as quais a integração da avaliação psicológica e social como componente obrigatória em consultas pré e pós-natais e o cumprimento do rácio de um psicólogo por 5.000 utentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O reforço dos cuidados de saúde primários e dos serviços de pediatria e obstetrícia bem como o aumento dos psicólogos para reduzir a burocracia no acesso das famílias ao sistema, são outras recomendações.

“Estimativas realizadas para o cenário britânico e brasileiro determinam que os custos económicos dos problemas de saúde psicológica na gravidez podem ascender aos 7,7 mil milhões de euros e 4,6 mil milhões de euros, respetivamente”, exemplificou a OPP.

A OPP sublinhou ainda que as “estimativas globais apontam que 48% das crianças vivem uma relação de vinculação insegura com os seus cuidadores”, podendo vir a vivenciar experiências repetidas de rejeição, negligência das suas necessidades ou cuidados inconsistentes.

Outras recomendações são uma reforma que priorize o desenvolvimento infantil, com uma licença parental renumerada a 100% por pelo menos seis meses, a possibilidade de redução do horário de trabalho até aos 3 anos de idade da criança e acesso universal a creches de elevada qualidade.

“Estudos têm demonstrado que o acesso a creches de elevada qualidade é uma das políticas com melhor relação custo-benefício, porque o investimento nas fases precoces do desenvolvimento potencia o impacto de investimentos futuros, promovendo diversas competências duradouras ao longo do ciclo de vida”, acrescentou a entidade.

A OPP defende ainda a comparticipação total de suplementos essenciais ao desenvolvimento fetal e infantil, a redução do IVA em produtos essenciais para os primeiros anos de vida e a criação de serviços integrados de apoio às famílias, articulando saúde, educação e apoio social.

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