Ventura lidera audiências: político mais visto pelos portugueses

Num mês em que as presidenciais já se travavam mais nos ecrãs do que nas ruas, André Ventura esmagou a concorrência: foi o candidato que mais apareceu, mais falou e mais minutos ocupou nos principais noticiários nacionais.

© Folha Nacional

Novembro de 2025 não deixou margem para dúvidas: as televisões portuguesas tiveram novos ‘donos’: os candidatos às eleições presidenciais. E, no topo da tabela mediática, surge André Ventura, presidente do CHEGA e candidato ao Palácio de Belém, que liderou destacadíssimo o ranking de exposição televisiva.

Segundo um estudo da Marktest, Ventura foi protagonista de 149 peças noticiosas, acumulando oito horas e 39 minutos de presença em antena. Uma performance que o torna, sem contestação, a figura política mais mediática do mês.

Logo atrás, surge Luís Marques Mendes, que ocupou o segundo lugar com 126 notícias e seis horas e 46 minutos de exposição. Já o Almirante Gouveia e Melo, que há meses surgia como favorito nas sondagens, fecha o pódio ao marcar presença em 116 notícias, totalizando seis horas e dois minutos de intervenções diretas.

Embora a lista pareça um desfile presidencial, há uma exceção óbvia: Marcelo Rebelo de Sousa, que apesar de não ser candidato, garantiu o 4.º lugar, surgindo em 144 notícias, com seis horas de exposição. A seguir, o top 10 continua a ser dominado por presidenciáveis: João Cotrim Figueiredo, António José Seguro, António Filipe e Catarina Martins.

A completar o quadro surgem o primeiro-ministro Luís Montenegro e a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, esta última fortemente impulsionada pela constante crise no SNS, que a mantém no radar noticioso dia após dia.

A Marktest esclarece que o estudo incidiu exclusivamente sobre os noticiários regulares dos principais canais — RTP1, RTP2, SIC e TVI —, excluindo debates, entrevistas especiais e programas fora dos blocos informativos. Contou-se apenas o tempo efetivo das peças, garantindo uma fotografia rigorosa do espaço que cada protagonista ocupou no telejornalismo português ao longo de novembro.

Últimas de Política Nacional

André Ventura deixou esta sexta-feira um desafio direto ao Partido Socialista: apoiar as propostas do CHEGA para baixar os impostos sobre os combustíveis e a aprovar o IVA Zero no cabaz alimentar. O líder do partido acusa o PS de “hipocrisia” e avisa que um chumbo deixará os socialistas sem argumentos depois das posições assumidas durante o verão.
Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.