Pedófilo do PS preso teve direito a louvor em Diário da República

Enquanto a Polícia Judiciária o detinha por suspeitas de centenas de crimes de pornografia de menores e abusos sexuais de crianças, o nome de Paulo Abreu dos Santos constava, não num processo disciplinar, mas num louvor publicado no Diário da República, assinado pela então ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro.

© DR

Antes de ser detido por suspeitas de centenas de crimes de pornografia de menores e abusos sexuais de crianças, Paulo Abreu dos Santos, então adjunto da ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro, foi distinguido com um louvor oficial publicado em Diário da República, revelou o semanário Expresso. O elogio, assinado pela própria ministra aquando da sua saída do Governo, destaca um desempenho “muito competente, dedicado e eficiente”, sublinhando ainda a sua “elevada competência técnico-profissional” e o contributo para o “prestígio e eficiência” da área governativa da Justiça.

O reconhecimento formal, atribuído em novembro de 2023, contrasta de forma abrupta com os factos agora investigados pela Justiça e está a provocar perplexidade pública, reacendendo o debate sobre os mecanismos de escrutínio e controlo em cargos sensíveis do Estado.

Paulo Abreu dos Santos, advogado de 38 anos, foi entretanto detido pela Unidade de Combate ao Cibercrime da Polícia Judiciária, em articulação com o DIAP de Lisboa, por suspeitas da prática de centenas de crimes de pornografia de menores e abusos sexuais de crianças, avançou a CNN Portugal. Foi presente a tribunal e ficou em prisão preventiva, por decisão do juiz de instrução criminal.

De acordo com a investigação, parte dos crimes de produção, acesso e partilha de conteúdos ilícitos terá sido cometida a partir do computador instalado no seu gabinete no Ministério da Justiça, onde exerceu funções entre 2023 e 2024. As autoridades apreenderam, durante uma busca domiciliária, ficheiros de extrema gravidade, envolvendo crianças entre os 4 e os 14 anos, considerados prova central no processo.

O inquérito teve origem numa investigação internacional, desencadeada pelas autoridades norte-americanas no âmbito do combate a redes de criminalidade sexual contra menores ativas em plataformas encriptadas como Signal e Telegram, que acabou por conduzir à identificação do suspeito em Portugal.

À data da detenção, Paulo Abreu dos Santos exercia advocacia na sociedade Ana Bruno & Associados e era assistente convidado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após a divulgação do caso, a sociedade retirou do seu site qualquer referência ao jurista.

O processo prossegue agora em investigação, enquanto o ex-adjunto de uma ministra socialista permanece em prisão preventiva, num caso que promete marcar o debate público sobre responsabilidade política, confiança institucional e proteção de menores.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA acusou o Governo de deixar por cumprir uma parte substancial dos apoios prometidos após a tempestade Kristin, criticando a ausência de execução das medidas anunciadas, a pressão fiscal sobre os lesados e a falta de resposta do Executivo perante o agravamento dos custos para famílias e empresas.
O líder do CHEGA, André Ventura, classificou como 'marketing' o programa 'Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência' (PTRR), hoje apresentado pelo Governo, e considerou que não define prioridades nem estratégias.
Paulo Abreu dos Santos, ex-adjunto de uma ministra socialista, está indiciado por 576 crimes de pornografia de menores e por integrar 13 grupos de partilha de abuso sexual infantil.
O CHEGA voltou a defender regras mais apertadas para o financiamento partidário, exigindo maior transparência nos donativos e o fim dos benefícios fiscais atribuídos aos partidos políticos.
O partido liderado por André Ventura quer ministro Miguel Pinto Luz a esclarecer por que motivo só um edifício terá proteção antissísmica reforçada numa infraestrutura hospitalar crítica.
O discurso de José Aguiar-Branco nas comemorações do 25 de Abril acabou por expor, em pleno hemiciclo, uma fratura visível no PS, com Pedro Delgado Alves a virar costas em protesto à Mesa da Assembleia da República e António Mendonça Mendes a responder com um aplauso de pé à mesma intervenção.
Mais do que cravos, cerimónias e celebrações, André Ventura defendeu este sábado, no Parlamento, que os portugueses “querem voz”, “salários justos” e “uma vida digna”, usando os 52 anos do 25 de Abril para centrar o debate nas dificuldades económicas, na corrupção e no afastamento entre a liberdade celebrada e a realidade vivida no país.
O CHEGA quer alterar a lei relativa aos crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos, para que quem for condenado, por exemplo por corrupção, não possa voltar a exercer funções públicas.
Compra da nova sede do Banco de Portugal (BdP) volta a estar sob escrutínio político, com o partido liderado por André Ventura a apontar falhas na transparência.
O líder do CHEGA, André Ventura, disse esta quarta-feira que recebeu da parte do Governo a indicação de abertura para alterações à reforma do Estado em “todos os pontos” que o partido tinha apontado.