“Os 37 cidadãos detidos foram restituídos à liberdade após as diligências normais. Foram notificados para comparecerem em tribunal no dia de hoje”, adiantou o chefe da área operacional do Comando Distrital de Braga da PSP, Rui Pereira, em conferência de imprensa decorrida na esquadra da Divisão de Guimarães.
Acompanhado por João Martins, chefe da Divisão de Guimarães da PSP, e por Ricardo Amaral, responsável pelo policiamento do jogo, Rui Pereira esclareceu que 33 das 37 detenções se devem a uma “participação em rixa”, decorrida na esplanada de um café numa rua contígua ao Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.
O responsável policial confirmou que essa rixa corresponde a um vídeo difundido na Internet, em que se veem vários homens vestidos de negro a pegarem em cadeiras e a atirarem-nas contra as portas do café, num exemplo de violência no âmbito de eventos desportivos associados ao fenómeno dos ‘casuals’.
“Há grupos de adeptos que frequentemente evitam ser controlados pelas autoridades policiais. Neste caso, o que aconteceu ontem (domingo) é que, naquela zona da cidade, já tínhamos feito o acompanhamento do grosso dos adeptos até ao estádio. Este é um segundo grupo de adeptos que evita a todo o custo o contacto com as autoridades policiais”, disse.
Rui Pereira esclareceu ainda que, além das equipas habitualmente mobilizadas para jogos da I Liga portuguesa de futebol considerados de alto risco, a PSP organizou equipas de investigação criminal com “o intuito de intercetar suspeitos de atividades ilícitas”.
“Ao longo dos últimos jogos, temos verificado a presença de alguns grupos de adeptos que aproveitam os espetáculos desportivos para realizarem atividades ilícitas no âmbito da violência do desporto”, acrescentou, vincando que ainda estão a ser efetuadas diligências para confirmar se algum dos intervenientes na rixa era reincidente.
Entre esses 33 cidadãos detidos na rixa, a PSP identificou ainda uma situação de tráfico de estupefacientes, pela posse de cocaína suficiente para a produção de 21 doses, e uma situação de posse de arma proibida, no caso “engenhos pirotécnicos adulterados”.
Quanto às restantes quatro detenções, três devem-se a danos provocados em duas viaturas de adeptos e uma à posse de arma proibida, no caso um bastão.
Rui Pereira confirmou também que um agente da PSP sofreu ferimentos ligeiros, estando a realizar exames complementares para verificar se está apto a voltar ao serviço no imediato.
O chefe da área operacional do Comando Distrital de Braga assumiu também que a polícia não identificou a agressão de dois homens vestidos de negro a um cidadão com a camisola do FC Porto, durante a tarde que antecedeu o jogo, nas imediações do estádio, tendo ficado a conhecer a situação através do vídeo publicado na Internet.
O responsável vincou que todos os incidentes contabilizados pela PSP, envolvendo adeptos dos dois clubes, aconteceram antes do jogo, que se iniciou às 20:30, e no exterior do Estádio D. Afonso Henriques.
O policiamento do Vitória de Guimarães–FC Porto teve o acompanhamento de magistrados do Ministério Público, no âmbito de um projeto-piloto da Comarca de Braga para combater a violência no desporto, em vigor desde 2019.