Quando a simbologia incomoda mais do que a lei

Nos últimos dias, assistimos a mais uma polémica fabricada em torno de um discurso de André Ventura, desta vez por ter usado um camuflado oferecido por antigos combatentes. Não demorou para surgirem os habituais comentadores, juristas de ocasião e moralistas seletivos a gritar “ilegalidade”, como se o simples uso de uma peça de roupa fosse, por si só, um crime contra o Estado de Direito.

Convém, antes de mais, repor a verdade. Em Portugal, não é ilegal um civil usar vestuário camuflado. O que a lei proíbe — e bem — é a usurpação de funções, o uso de fardas oficiais, insígnias, patentes ou símbolos reservados às Forças Armadas no ativo. Nada disso aconteceu. Não houve farda oficial, não houve patentes, não houve fingimento de autoridade militar. Houve apenas um gesto simbólico, público e assumido.

Então porque tanta indignação?
Porque o problema nunca foi a lei.
O problema foi a mensagem.

O camuflado não foi um adereço de moda. Foi um símbolo. Um símbolo de reconhecimento, de memória e de respeito por homens que serviram o país quando Portugal lhes pediu tudo — e que depois, demasiadas vezes, foram esquecidos pelo mesmo Estado. Foi isso que incomodou. Não a legalidade do gesto, mas o seu significado político e emocional.

Vivemos num país onde insultar polícias raramente causa escândalo, onde o desprezo pelos militares é tratado como opinião respeitável, e onde atacar símbolos nacionais é relativizado em nome de um falso progressismo moral. Mas um político usar um camuflado oferecido por ex-combatentes transforma-se, subitamente, numa “ameaça à democracia”.
É esta a inversão total de valores.

A polémica serve apenas para distrair. Para evitar falar do essencial: do abandono dos antigos combatentes, da fragilidade da defesa nacional, da falta de respeito institucional por quem garantiu a liberdade que hoje permite a muitos criticar tudo sem consequências.

Quem tenta colar ilegalidade a este episódio sabe que não tem razão jurídica. Sabe-o. Mas insiste, porque o objetivo não é esclarecer — é desgastar, ridicularizar e atacar quem ousa tocar em símbolos que ainda têm significado para o povo português.
Num tempo em que a política se tornou asséptica, desligada da realidade e vazia de coragem, qualquer gesto que ligue memória, identidade e nação provoca reação imediata. Não por ser ilegal. Mas por ser incómodo.
E isso diz muito mais sobre quem critica do que sobre quem discursou.

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