Ex-secretário da Junta de Santiago de Montalegre desvia 135 mil euros e apanha sete anos de prisão

Entre 2017 e 2022, o dinheiro da Junta de Freguesia serviu para pagar dívidas privadas e despesas pessoais. O Tribunal de Santarém considerou provado o desvio de verbas públicas e condenou o então secretário da autarquia por peculato e falsificação de documentos.

© D.R.

O Tribunal de Santarém deu como provado que Pedro Carreira, à data secretário da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, presidida por Dora Santos, eleita pelo PSD, desviou verbas públicas entre 2017 e 2022, retirando dinheiro da conta bancária da autarquia para saldar dívidas da empresa onde trabalhava, a Estrela da Beira, e para contas pessoais que movimentava sem qualquer justificação legal. Foi condenado a sete anos de prisão, em cúmulo jurídico.

De acordo com o acórdão a que o Correio da Manhã (CM) teve acesso, os montantes foram utilizados para pagamentos a empresas e fornecedores que nunca mantiveram qualquer relação comercial com a Junta de Freguesia, configurando uma atuação reiterada de apropriação indevida de dinheiros públicos.

No mesmo processo, o sócio-gerente da empresa, Jorge Madeiras, foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, com pena suspensa. As duas sociedades por si geridas — Estrela da Beira Agropecuária e Estrela da Beira Transformação de Carnes — foram igualmente condenadas ao pagamento de 35 mil euros cada ao Estado.

O ex-autarca foi condenado por um crime de peculato de titular de cargo político e por quatro crimes de falsificação de documentos, segundo o CM. Para tentar justificar os movimentos financeiros suspeitos, alegou a existência de um fundo de investimento bancário que nunca chegou a existir, tendo produzido documentação falsa no seu próprio computador.

O coletivo de juízes considerou ainda parcialmente procedente o pedido de indemnização civil apresentado pela Junta de Freguesia, condenando os arguidos e as empresas, de forma solidária, à restituição das verbas de que se apropriaram indevidamente.

Últimas de Política Nacional

A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.
O líder do CHEGA contesta limitações ao objeto da comissão de inquérito e quer escrutinar toda a passagem de Luís Neves pela direção da PJ, incluindo o seu afastamento da Operação Influencer e perceber se decisões tomadas durante o mandato sofreram influência política.
Luís Montenegro vai enfrentar o debate da moção de censura apresentada pelo CHEGA no dia 8 de setembro, às 15h00. Partidos decidiram acelerar os prazos para que o país não fique à espera de uma resposta política à iniciativa apresentada na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Presidente do CHEGA anunciou esta quarta-feira que o partido deu entrada de uma moção de censura ao Governo e considera a decisão “irreversível”. André Ventura acusa Luís Neves de não esclarecer as suspeitas que têm marcado a polémica em torno do ministro, critica o silêncio de Montenegro e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA quer saber como Portugal vai pagar as novas fragatas e quanto custarão os juros. Ventura acusa ainda o Governo de ter adotado a “escola Luís Neves”: “Fala quando quer, sobre o que quer.”