Nova barragem e manutenção da obra hidráulica cruciais para evitar cheias no Mondego

A construção da barragem de Girabolhos, no concelho de Seia, e a manutenção da obra hidráulica do Mondego, a jusante de Coimbra, são duas das condições essenciais para evitar cheias na bacia hidrográfica, defenderem agricultores e dirigentes associativos.

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O presidente da recém-empossada direção da Associação de Agricultores do Vale do Mondego – entidade que estava inativa desde 2012, após a morte do empresário agrícola Carlos Laranjeira -, indicou à agência Lusa a necessidade da regularização do rio Ceira e da construção da barragem de Girabolhos.

“Enquanto não regularizamos o Ceira, tudo o que escorrer para o rio Ceira vem parar ao Baixo Mondego. Nas cheias de 2019, com a [barragem da] Aguieira a libertar o mínimo [de água], foram mais de 1.000 metros cúbicos [por segundo, o equivalente a um milhão de litros] que entraram no Mondego, vindos do Ceira, um rio que em estado selvagem”, afirmou João está Grilo.

Para além da regularização do Ceira, rio de montanha que nasce na serra do Açor, no concelho de Arganil, e desagua na margem esquerda do Mondego, junto a Coimbra, o dirigente associativo constatou a falta de manutenção existente no canal central do Mondego: “O leito do rio está todo arborizado, outra vez, e no canal central manutenção não há, andamos sempre a correr atrás do prejuízo”, lamentou.

João Grilo defendeu ainda como essencial a construção da barragem de Girabolhos, no município de Seia, distrito da Guarda, infraestrutura que é uma consulta antiga de agricultores e entidades diversas.

“A acontecer, Girabolhos é mais uma almofada muito confortável para a Aguieira e para a [barragem da] Raiva”, as quais, em conjunto com a barragem das Fronhas, no rio Alva, em Arganil, estão incluídas na bacia do rio Mondego.

O plano de construção da barragem de Girabolhos foi suspenso em 2016. Porém, em março de 2025, o governo anterior liderado pelo atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumiu que a obra é para avançar, incluída na estratégia nacional “Água que Une”.

Já para Armindo Valente, vice-presidente da Associação de Beneficiários da Obra Hidroagrícola do Baixo Mondego, a prioridade é a edificação da barragem de Girabolhos.

“O Baixo Mondego só fica seguro de cheias e com água suficiente para rega durante o verão a partir do momento em que a barragem de Girabolhos seja uma realidade”, frisou.

O empresário agrícola adiantou que com a construção da infraestrutura de armazenamento de água, ao nível de possíveis cheias, “resolver-se-á o problema das zonas ribeirinhas do Mondego e da cidade de Coimbra”.

Armindo Valente abordou ainda a situação atual da obra de fomento hidroagrícola – que continua por concluir há quase 50 anos – estando em curso a construção do adutor da margem direita do rio Pranto, afluente do Mondego, embora as obras tenham sido temporariamente suspensas devido às condições climáticas.

Também no Pranto, a preocupação dos agricultores incide sobre a manipulação das condutas de Maria da Mata, o que levou, na semana passada, à exigência de uma intervenção urgente por parte da Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO).

Em comunicado, a ADACO lembrou que os comportamentos de Maria da Mata impedem que a água salgada entre para os campos agrícolas, mas estão sem funcionar há seis anos, situação que tem sido alvo de sucessivas reclamações, sem sucesso.

Na nota, a ADACO disse que espera, desde há dois anos, que a Agência Portuguesa do Ambiente cumpra os procedimentos de lançamento do concurso público e adjudicação da obra, que tem um custo estimado de 1,2 milhões de euros, e ainda não começou.

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