PSD toma de assalto o SNS: coloca 14 ‘boys’ em 19 das novas administrações

O Governo avançou para uma limpeza silenciosa nas administrações hospitalares, afastando equipas com bons resultados para colocar dirigentes com ligações ao PSD e ao CDS. Em menos de um ano, quase 80% das novas nomeações recaem em nomes próximos do poder político.

© André Kosters/LUSA

O Governo liderado por Luís Montenegro avançou com uma ampla remodelação nas administrações hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS), colocando em lugares-chave responsáveis com ligações partidárias, revela a revista Sábado. Desde outubro de 2024, foram substituídas as lideranças de 19 Unidades Locais de Saúde (ULS), sendo que em 14 dessas mudanças a presidência passou para militantes, autarcas ou gestores próximos do PSD. Somando um nome associado ao CDS no Minho, quase 80% das novas nomeações recaem em figuras ligadas aos partidos da coligação governamental.

A prática de nomeações com peso político não é nova, mas a dimensão do movimento suscita críticas. De acordo com a Sábado, várias substituições ocorreram mesmo em unidades que apresentavam resultados positivos. Em nove casos, os presidentes afastados tinham ligações ao PS ou a anteriores governos, alimentando a perceção de uma mudança de cor partidária no topo da gestão hospitalar.

Um exemplo emblemático surge na ULS da Guarda. Em 2020, o PSD local denunciava como “politização inadmissível” as nomeações feitas pelo Governo socialista. Cinco anos depois, já sob governação da AD, a presidência foi entregue a uma jurista militante do PSD, publicamente elogiada pela estrutura distrital e por deputados do partido, apesar de a unidade cumprir os indicadores de desempenho.

Especialistas do setor alertam para a ausência de critérios transparentes. “O Governo tem legitimidade para implementar a sua estratégia, mas há substituições difíceis de compreender quando as equipas estavam a apresentar resultados”, afirma à Sábado, Xavier Barreto, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, apontando exemplos como São José, em Lisboa, e Coimbra. Em Gaia/Espinho, a mudança chegou mesmo a gerar contestação interna por parte de profissionais de saúde.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA critica o aumento dos encargos fiscais, incluindo o IMI, e acusa o Executivo de não romper com as políticas socialistas, defendendo medidas que permitam aliviar os rendimentos das famílias.
André Ventura considera que o Orçamento do Estado para 2027 não responde ao aumento dos custos da habitação, da alimentação e dos combustíveis. "Este é um Orçamento do Estado em que o Governo não consegue reconhecer o momento de dificuldade que os portugueses vivem", afirmou o líder do CHEGA.
O antigo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues (PS), defendeu um bloco central entre PS e PSD para travar o CHEGA. Partido liderado por André Ventura poderá mesmo vencer as próximas eleições.
Isaltino Morais admite que André Ventura possa chegar a primeiro-ministro e aponta uma aproximação entre PS e PSD como forma de travar esse cenário. Em entrevista à RTP, o presidente da Câmara de Oeiras defendeu uma convergência entre os dois partidos para impedir a chegada do líder do CHEGA ao Governo.
PSD, Iniciativa Liberal e PS viabilizaram alterações à lei do Tribunal de Contas que poderão afastar a aplicação de sanções financeiras ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em causa estão despesas de 14.300 euros com viagens ao Brasil, realizadas em 2023, quando dirigia a Polícia Judiciária.
O presidente do CHEGA responsabiliza PS e PSD pela crise da habitação e acusa José Luís Carneiro de dar luz verde a um Orçamento do Estado sem conhecer o seu conteúdo. André Ventura defende um pacote de emergência com benefícios fiscais, apoios às rendas e menos burocracia.
Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.