André Ventura defende “profunda auditoria” à Autoridade de Proteção Civil

O candidato presidencial André Ventura defendeu hoje uma “profunda auditoria” à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), acusando o Governo de “desleixo” na resposta à depressão Kristin.

© Folha Nacional

“Estou convencido de que nós precisamos mesmo de uma auditoria, sobretudo na Proteção Civil, porque a Proteção Civil tornou-se, nos últimos anos, – e nestas tragédias devemos ser mais exigentes – um reduto de ‘boys and girls’ do PSD e do PS”, afirmou André Ventura, que falava numa sessão de esclarecimento com apoiantes na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, sobre as falhas do Estado na resposta a situações de calamidade, que substituiu uma arruada inicialmente prevista.

O também presidente do Chega respondia a uma pergunta lida por um dos presentes que questionava se estaria na altura de uma auditoria à ANEPC.

“Eu acho que é preciso uma profunda auditoria em todos os sistemas de proteção civil do país. Acho que temos que reformular o seu enquadramento e a sua agilidade”, afirmou.

Para André Ventura, perante um aviso vermelho, fez-se “muito pouco”, considerando que é preciso exigir respostas sobre o que falhou e apurar responsabilidades.

“O que nós temos hoje, verdadeiramente, é um conjunto de falhas em que já gastámos milhões de euros a procurar explicá-las”, disse, defendendo uma auditoria ao invés de “estudos” para perceber o que se passou – que acusa de não chegarem a conclusão nenhuma.

André Ventura voltou também a criticar o Governo na “falta de prevenção” perante uma situação cujo risco era conhecido.

“O Governo sabia há dias que estava numa situação de risco, de risco elevado e fez muito pouco para evitar”, disse, acreditando que, com outra preparação, poderia ter sido possível evitar algumas das vítimas mortais registadas com a passagem da depressão Kristin.

O candidato aproveitou ainda o momento para criticar a demora de Portugal em acionar o mecanismo europeu de proteção civil, recordando que também nos incêndios de 2025 o executivo liderado por Luís Montenegro demorou “uma eternidade a pedir auxílio”.

“Agora, voltou a acontecer a mesma coisa, mas com uma situação mais grave. É que o Governo disse que já tinha contactado e estava a ponderar acionar formalmente mecanismos de ajuda europeia e hoje responsáveis europeus disseram que não receberam nenhum contacto do Governo português. Portanto, isto é pura incompetência, mas sobretudo é o desleixo para com a população, é o desleixo para com as pessoas, é a despreocupação para com as pessoas”, salientou.

Durante a sessão, o candidato presidencial alegou uma ausência de resposta das Forças Armadas após a passagem da depressão, considerando que haveria capacidade, vontade e condições para a sua mobilização.

As Forças Armadas “têm que ser mobilizadas para a luta, para ajudar as pessoas, por exemplo, para desbloquear caminhos”, disse, apesar de o ministro da Defesa Nacional já ter afirmado na quinta-feira que os militares estão envolvidos no apoio às populações afetadas, com instruções para auxiliar, no limite das suas capacidades.

Ao longo de quase uma hora de sessão, André Ventura pediu ainda uma agilização e desburocratização no acesso a apoios por parte das pessoas e empresas afetadas, para garantir que a ajuda chega a quem precise.

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