A moção, lida pelo presidente do município, Gonçalo Lopes (PS), na reunião do executivo, hoje descentralizada na freguesia da Bajouca, onde ainda há pessoas sem comunicações fixas, foi aprovada por unanimidade.
No documento pede-se às entidades responsáveis pela distribuição de energia elétrica e pelas redes de comunicações eletrónicas, além da “reposição integral e definitiva de todos os serviços ainda afetados em qualquer freguesia do concelho”, a “identificação técnica detalhada das causas das falhas prolongadas registadas durante e após a tempestade” e a “apresentação pública de um plano calendarizado de melhoria estrutural e reforço das redes no concelho de Leiria”.
Por outro lado, a moção defende a “concretização de investimento efetivo em medidas de reforço e modernização”.
Neste campo, elenca a “modernização e reforço de postos de transformação, reconfiguração e reforço de linhas de distribuição, enterramento de redes sempre que tecnicamente viável, criação de redundâncias e circuitos alternativos, e implementação de sistemas de monitorização preventiva e resposta rápida”.
O executivo quer, também, que “as entidades responsáveis promovam, com caráter de urgência, reuniões técnicas com o Município de Leiria e com as juntas de freguesia, devendo dessas reuniões resultar propostas concretas de reforço estrutural das infraestruturas, calendarização de investimentos e definição de metas de execução”.
Na moção lê-se ainda que a depressão Kristin, em 28 de janeiro, “provocou impactos profundos em todo o concelho de Leiria, afetando infraestruturas públicas e privadas, habitações, atividade económica e tecido associativo”.
“Diversas freguesias do concelho registaram falhas prolongadas na reposição de energia elétrica e de comunicações eletrónicas, verificando-se áreas sem serviço de telecomunicações e ainda interrupções e instabilidade de serviço”, destaca.
Para a autarquia, “o contexto de crescente frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos, associado às alterações climáticas, impõe a necessidade de redes mais robustas, resilientes, modernizadas e preparadas para responder a situações de crise”.
O vereador do PSD João Curado (PSD) notou que “há alguns casos das telecomunicações que são muito difíceis de recuperar”.
“Eu, pessoalmente, tive Internet ontem [domingo], é uma enormidade de coisas que foram destruídas”, declarou, aludindo aos custos de recuperação.
Na resposta, Gonçalo Lopes salientou a necessidade de “remediar o mais rápido possível”, mas “é muito importante”, embora possa demorar um ano ou mais, que a seguir se faça melhor.
O documento vai ser remetido à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, Autoridade Nacional de Comunicações, E-Redes (principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão), operadoras de comunicações eletrónicas com atuação no concelho, e membros do Governo responsáveis pelas áreas da Energia, Ambiente, Infraestruturas e Coesão Territorial.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.