Governo faz contratos com arguido da Operação Tutti Frutti

Empresa liderada por gestor acusado de corrupção celebrou contratos superiores a 25 milhões de euros com entidades públicas desde que foi conhecida a acusação do Ministério Público.

A Bravantic, antiga Informantem, empresa liderada por Pedro Rosa Gil, arguido na Operação Tutti Frutti, celebrou mais de 25 milhões de euros em contratos públicos desde que o Ministério Público deduziu acusação neste processo, em fevereiro do ano passado, avança o Correio da Manhã.

Pedro Rosa Gil está acusado de corrupção ativa sobre autarcas do PSD, num caso que investiga alegados esquemas de favorecimento na atribuição de contratos públicos.

O episódio mais recente ocorreu na última quinta-feira, quando a Secretaria-Geral do Governo adquiriu 20 tablets por cerca de 19 mil euros, através de ajuste direto. O contrato foi assinado pelo secretário-geral Carlos Costa Neves e pelo próprio empresário.

Segundo o organismo, ouvido pelo Correio da Manhã, o procedimento respeitou o Código dos Contratos Públicos e não existia qualquer impedimento legal à contratação, sublinhando que o processo foi conduzido exclusivamente pela Secretaria-Geral do Governo, sem intervenção de membros do executivo.

Além deste negócio, a empresa celebrou outros três contratos com o mesmo organismo em 2025, para fornecimento de equipamentos informáticos e software.

O contrato de maior dimensão no último ano foi celebrado com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, no valor de 3,9 milhões de euros, para fornecimento de soluções tecnológicas, operação sujeita a visto prévio do Tribunal de Contas.

Investigação em curso

A Operação Tutti Frutti investiga suspeitas de corrupção e favorecimento político em contratos autárquicos.

Segundo o Ministério Público, após as eleições autárquicas de 2013, o então deputado do PSD Sérgio Azevedo terá persuadido Luís Newton, então presidente da Junta de Freguesia da Estrela, a contratar a empresa Informantem. Em troca, representantes da empresa terão pago uma viagem à China a responsáveis políticos.

Empresa nega acusações

Em resposta ao Correio da Manhã, Pedro Rosa Gil afirma contestar totalmente as acusações e diz estar confiante de que provará a sua inocência em tribunal.

A Bravantic sublinha ainda que não é arguida no processo e recorda que se mantém em vigor o princípio da presunção de inocência.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA critica o aumento dos encargos fiscais, incluindo o IMI, e acusa o Executivo de não romper com as políticas socialistas, defendendo medidas que permitam aliviar os rendimentos das famílias.
André Ventura considera que o Orçamento do Estado para 2027 não responde ao aumento dos custos da habitação, da alimentação e dos combustíveis. "Este é um Orçamento do Estado em que o Governo não consegue reconhecer o momento de dificuldade que os portugueses vivem", afirmou o líder do CHEGA.
O antigo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues (PS), defendeu um bloco central entre PS e PSD para travar o CHEGA. Partido liderado por André Ventura poderá mesmo vencer as próximas eleições.
Isaltino Morais admite que André Ventura possa chegar a primeiro-ministro e aponta uma aproximação entre PS e PSD como forma de travar esse cenário. Em entrevista à RTP, o presidente da Câmara de Oeiras defendeu uma convergência entre os dois partidos para impedir a chegada do líder do CHEGA ao Governo.
PSD, Iniciativa Liberal e PS viabilizaram alterações à lei do Tribunal de Contas que poderão afastar a aplicação de sanções financeiras ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em causa estão despesas de 14.300 euros com viagens ao Brasil, realizadas em 2023, quando dirigia a Polícia Judiciária.
O presidente do CHEGA responsabiliza PS e PSD pela crise da habitação e acusa José Luís Carneiro de dar luz verde a um Orçamento do Estado sem conhecer o seu conteúdo. André Ventura defende um pacote de emergência com benefícios fiscais, apoios às rendas e menos burocracia.
Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.