Corrupção investiga-se devagar? Ministério Público aponta atrasos graves da PJ e falta de meios

Relatório oficial revela investigações prolongadas, perícias atrasadas e falta de recursos nas autoridades, com a Polícia Judiciária (PJ) entre as mais afetadas nos crimes considerados prioritários.

©facebook/pjudiciaria

O Ministério Público (MP) identificou atrasos significativos na investigação de crimes prioritários, como corrupção e criminalidade económica, apontando falhas operacionais e falta de recursos humanos nas forças de investigação.

As conclusões constam de um relatório que avalia a aplicação da lei de política criminal entre 2023 e 2025, ao qual o Público teve acesso. O documento indica que muitos inquéritos permanecem em investigação durante períodos prolongados, mesmo após a definição de prioridades entre o MP e as autoridades.

A PJ surge como uma das entidades mais visadas, dado o seu papel central na investigação destes crimes. Segundo o relatório, verificam-se atrasos na realização de perícias e processos que se arrastam no tempo, apesar da articulação com o Ministério Público.

As dificuldades estendem-se também a outros órgãos de polícia criminal, incluindo áreas fiscais e da Segurança Social, sendo mais evidentes nos crimes económico-financeiros, cibercrime, infrações fiscais e crimes sexuais.

Entre as principais causas apontadas estão atrasos internos na análise de prova, na distribuição de processos e na elaboração de relatórios. No caso da PSP e da GNR, o MP destaca ainda a falta de recursos humanos e a instabilidade das equipas de investigação.

O relatório sublinha igualmente falhas no tratamento de casos de violência doméstica, referindo que nem todas as situações são acompanhadas por equipas especializadas, o que pode comprometer o apoio às vítimas.

A escassez de profissionais qualificados, incluindo procuradores, oficiais de justiça e peritos nas áreas financeira, informática e bancária, surge como um dos principais entraves. Esta limitação tem levado ao recurso a especialistas externos, com impacto nos prazos das investigações, sobretudo na recolha e análise de prova digital.

O documento surge numa fase em que o Parlamento se prepara para discutir as novas orientações da política criminal para o período entre 2025 e 2027.

Últimas do País

O dono de um bar em Vila do Conde foi hoje condenado a uma pena suspensa de três anos e nove meses pelos crimes de lenocínio, auxilio à imigração ilegal e branqueamento de capitais.
A PSP deteve no último mês, na zona de Lisboa, quatro cidadãos brasileiros procurados pelas autoridades do Brasil por crimes de homicídio, tentativa de homicídio e roubo, que aguardam os processo de extradição, foi hoje divulgado.
Os episódios de calor extremo registados na última década agravaram a mortalidade em Portugal, em comparação com a década de 1990, sobretudo nas regiões do interior do país, com Trás-os-Montes a registar o maior aumento.
Os professores portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos, segundo um estudo da OCDE, o que lhes permite lidar melhor com os desafios da sala de aula e fazer com que os alunos aprendam melhor.
O líder do CHEGA, André Ventura, considerou hoje que o Governo está a pôr sobre o partido o ónus de um acordo sobre a reforma laboral no parlamento, apesar de não ter dado "nenhum passo" de aproximação.
Peso da imigração explica subida da natalidade em Portugal, com Lisboa a aproximar-se dos 50%.
Quase 330 doentes morreram, entre 2021 e 2025, à espera de cirurgia cardíaca disse hoje a secretária de Estado da Saúde Ana Povo, adiantando que a tutela vai publicar um despacho para a revisão das redes de referenciação.
O número de episódios de urgência nos hospitais baixou no inverno 2025/2026, mas aumentou o peso dos casos realmente urgentes (pulseira amarela) e o tempo médio de permanência na urgência voltou a subir após descer em 2024/2025.
Ataque em Oliveira do Bairro deixa duas pessoas em estado grave após vários disparos junto ao local de trabalho da vítima.
Um incêndio destruiu hoje duas casas de aprestos no porto da Ribeira Quente, no concelho açoriano da Povoação, e um homem teve de ser transportado para uma unidade de saúde, devido à inalação de fumos, revelou fonte dos bombeiros.