Primeiro-ministro admite défice em 2026 devido a cenário de “excecionalidade”

O primeiro-ministro admitiu hoje que Portugal pode ter défice em 2026 devido à “excecionalidade” relacionada com os impactos das tempestades e da crise energética e rejeitou “uma obsessão” para ter excedente orçamental que impeça apoios ao país.

© Folha Nacional

“Tal como já tinha sido antecipado na circunstância do processo de recuperação das tempestades e agora também com a excepcionalidade do mercado da energia, quero apenas dizer que, pelo facto de termos tidos crescimentos económicos sustentados e bons desempenhos orçamentais nos últimos anos, podemos, eventualmente, ter uma situação de défice e, ainda assim, ter equilíbrio nas nossas contas públicas”, disse Luís Montenegro.

Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas na chegada à reunião do Conselho Europeu, Luís Montenegro admitiu que o facto de Portugal poder ter défice este ano “não significa estar num procedimento de défice excessivo ou num procedimento de desequilíbrio”, mas antes que o Governo não faça “o país ser penalizado de uma forma exagerada por uma obsessão para ter superávites”.

“A nossa certeza é que ainda estamos num quadro onde é possível salvaguardar o equilíbrio orçamental de maneira a termos um resultado positivo”, mas “nós não estamos obcecados com isso”, adiantou o chefe de Governo.

E frisou: “Nós lutamos para ter uma situação positiva no nosso saldo orçamental, nas nós queremos um país que seja justo socialmente e pujante economicamente”.     

A escalada militar no Médio Oriente – causada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e consequente resposta iraniana – veio agravar as vulnerabilidades em Portugal, sobretudo através do aumento dos preços da energia, que pressionou a inflação e reduziu o poder de compra das famílias, tendo levado o Estado a adoptar medidas de mitigação.

Isto soma-se ao efeito das tempestades que atingiram o país em janeiro, provocando danos em infraestruturas, habitação e atividades económicas, o que implicou despesas públicas em apoio e mobília.

“Tem sido uma sina dos governos que eu tenho presidido que antecipadamente se mostra sempre um quadro em que vamos regressar aos défices e depois temos superávites. Eu tenho essa expectativa também relativamente a 2025 e para 2026, também tenho essa expectativa. Claro que a situação está muito agravada e está agravada por dois fenómenos, duas situações absolutamente imprevistas”, assinalou o primeiro-ministro.

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