Líder do BCE alerta que combate à inflação ainda não está ganho

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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, lembrou que o “combate contra a inflação ainda não está ganho”, embora considere que a política restritiva esteja a fazer progressos.

Lagarde terminou o dia de debate na reunião de responsáveis de vários bancos centrais em Jackson Hole, nos Estados Unidos da América, com um discurso onde recordou o desejo da sua instituição de continuar a sua política restritiva.

No atual contexto, para o BCE isto significa fixar as taxas de juro em níveis suficientemente restritivos “durante o tempo que for necessário” para alcançar um regresso atempado da inflação ao objetivo de médio prazo de 2%, sublinhou.

A francesa apontou a possibilidade de se estar a entrar numa era de mudanças nas relações económicas, o que para os gestores monetários com mandato de estabilidade representa um desafio significativo.

Por isso, e dado que as políticas do banco central funcionam com desfasamento, não se pode esperar que os parâmetros do novo ambiente se tornem totalmente claros antes de agir, embora os efeitos das decisões tomadas só sejam verdadeiramente compreendidos após a sua implementação, lembrou.

Para Lagarde, é importante ter clareza para estabelecer o papel adequado da política monetária, assumindo que a estabilidade de preços é um pilar fundamental de um ambiente favorável ao investimento, para que “a política monetária não se torne ela própria numa fonte de incerteza”.

“Isto será crucial para manter as expectativas de inflação firmemente ancoradas mesmo quando há desvios temporários da nossa meta, como pode ser o caso numa economia mais propensa a choques”, defendeu a presidente do BCE.

“Não existe um manual pré-existente para a situação que enfrentamos hoje, por isso a nossa tarefa é criar um novo”, sublinhou Lagarde.

A líder do BCE apontou ainda que a formulação de políticas numa era de mudança e perturbação exige uma mente aberta e uma vontade de ajustar os quadros analíticos em tempo real aos novos desenvolvimentos, enquanto os bancos centrais fornecem uma âncora para a tomada de decisões na economia e garantem a estabilidade de preços de acordo com os seus respetivos mandatos.

“E olhando para o futuro, devemos continuar a ser claros nos nossos objetivos, flexíveis nas nossas análises e humildes na forma como comunicamos”, concluiu.

As Euribor começaram a subir mais significativamente a partir de 04 de fevereiro de 2022, depois de o BCE ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras devido ao aumento da inflação na zona euro e a tendência foi reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 14 de setembro.

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