CHEGA disponível para negociar alterações à Lei da Nacionalidade

O líder do CHEGA, André Ventura, mostrou-se hoje disponível para negociar com o Governo as anunciadas alterações à lei da nacionalidade, que considerou insuficientes, reclamando que o executivo deu razão ao seu partido.

© Folha Nacional

André Ventura, que falava aos jornalistas antes de uma reunião com a União de Associações do Comércio e Serviços (UACS), em Lisboa, considerou que, nas alterações hoje anunciadas pelo Governo, “há elementos que é preciso articular e que o CHEGA está disposto a trabalhar e a articular”, dizendo que há “caminho para andar”.

O Governo anunciou hoje que quer introduzir várias alterações à Lei da Nacionalidade, entre as quais a possibilidade de juízes decretarem, como sanção acessória, a perda de nacionalidade para cidadãos naturalizados há menos de dez anos que cometam determinados “crimes graves” com penas de prisão superiores a cinco anos.

O Presidente do CHEGA admitiu “criar condições para que haja aqui um meio termo em que essa nacionalidade possa ter uma espécie de decisão judicial dentro da própria decisão judicial, ou seja, uma espécie de reconhecimento por parte do tribunal de que estes crimes devem corresponder a uma perda de nacionalidade”, ou seja, “poderia não ser automática”.

“Se nestas matérias: expulsar quem cometeu crimes, tirar a nacionalidade de quem cometeu crimes, tirar a residência de quem cometeu crimes, limitar o número de novas autorizações de residência por reagrupamento familiar, se houver caminho, se o Governo estiver apto e disponível para fazer este caminho, temos um bom prenúncio, se não tiver, não temos um bom prenúncio”, avisou.

André Ventura considerou que as alterações anunciadas são insuficientes e já deveriam ter sido tomadas há mais tempo, mas congratulou-se por o Governo “dar razão àquilo que o CHEGA dizia há muito tempo” e ter chegado a este debate, apesar de ter sido “tarde” e de estar “a correr atrás do prejuízo”.

“Hoje o primeiro-ministro e o PSD reconhecem que o CHEGA tinha razão, que se pode e deve perder a nacionalidade quando se comete crimes graves, que não se deve ter nacionalidade ao fim de poucos anos, deve-se ter ao fim de alguns anos, seja de 6 ou de 10, e que não se deve ter residência ou atribuição de benefícios sociais apenas por passar aqui, ou, em alguns casos, sem nem passar aqui”, referiu.

O líder do CHEGA defendeu igualmente que maiores restrições à atribuição de nacionalidade portuguesa, considerando que “não pode haver pessoas que se digam portuguesas, mas que não saibam nada de língua portuguesa, que nunca tenham estado no território português, que não saibam sequer, provavelmente, onde é que é Portugal”.

Questionado sobre a criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras na PSP, proposta que na última legislatura não foi aprovada e teve a abstenção do CHEGA, André Ventura não disse diretamente qual será o sentido de voto do seu partido desta vez, referindo que o país deveria ter “uma polícia própria de fronteiras”, a mesma expressão utilizada pelo ministro da Presidência.

Para quarta-feira, está marcado um debate de urgência pedido pelo CHEGA sobre “o descontrolo na atribuição de nacionalidade e na necessidade de limitar o reagrupamento familiar” e Ventura considerou que este será um primeiro momento para perceber se haverá “aproximação de posições”.

O líder do CHEGA esteve na UACS acompanhado pelo candidato do partido à Câmara Municipal de Lisboa, Bruno Mascarenhas.

Sobre as eleições autárquicas, o líder do CHEGA voltou a dizer que o seu objetivo é vencer algumas autárquicas, principalmente nos distritos que o partido venceu nas últimas legislativas, “transformar o mapa político” e “quebrar o bipartidarismo”.

Em Lisboa, o CHEGA quer “entrar na gestão do executivo camarário”.

Últimas de Política Nacional

O candidato presidencial André Ventura lamentou hoje as mortes na sequência da depressão Kristin e disse que espera poder visitar zonas do país afetadas pelo mau tempo nos próximos dias.
Mais de 3,9 milhões de pessoas assistiram ao debate entre os candidatos presidenciais André Ventura e António José Seguro, e foi o mais visto de todos os debates, de acordo com a análise da Universal McCann.
O Governo avançou para uma limpeza silenciosa nas administrações hospitalares, afastando equipas com bons resultados para colocar dirigentes com ligações ao PSD e ao CDS. Em menos de um ano, quase 80% das novas nomeações recaem em nomes próximos do poder político.
A campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais arranca oficialmente hoje, um dia após o debate entre António José Seguro e André Ventura, marcado pela discussão sobre saúde, legislação laboral, poderes presidenciais, regulação da imigração e política internacional.
O presidente da Comissão de Transparência, Rui Paulo Sousa, eleito pelo CHEGA, criticou hoje a deputada socialista Eva Cruzeiro por colocar em causa a isenção desta comissão, salientando que as audições obedecem sempre ao Regimento do parlamento.
A campanha oficial para a segunda volta das eleições presidenciais arranca na quarta-feira e decorre até ao dia 6 de fevereiro, com André Ventura e António José Seguro na corrida a Belém.
É hoje o único debate televisivo entre os dois candidatos à segunda volta das Eleições Presidenciais. Terá 75 minutos de duração e está marcado para as 20h30 (com transmissão na RTP, SIC e TVI).
Uma recolha de depoimentos nas galerias da Assembleia da República acabou em retenção policial e proibição de perguntas. A revista Sábado denuncia pressões e interferências após uma ordem direta do líder parlamentar do PSD.
Antigo presidente da Junta de Amiais de Baixo abandona militância e dispara contra a concelhia de Santarém.
Entre 2017 e 2022, o dinheiro da Junta de Freguesia serviu para pagar dívidas privadas e despesas pessoais. O Tribunal de Santarém considerou provado o desvio de verbas públicas e condenou o então secretário da autarquia por peculato e falsificação de documentos.