Aliado de Sócrates demite-se de mandatário de Gouveia e Melo para evitar polémicas

Afonso Camões apresentou esta terça-feira a demissão do cargo de mandatário distrital da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, justificando a decisão com a necessidade de evitar “embaraços” ao ex-chefe da Marinha na corrida a Belém.

© Horacio Villalobos#Corbis/Getty Images

O anúncio foi feito pelo próprio nas redes sociais e entretanto confirmado pela equipa de campanha.

A escolha de Camões, antigo presidente da agência Lusa, ex-diretor do Jornal de Notícias e conhecido pela proximidade ao antigo primeiro-ministro José Sócrates, tinha sido alvo de críticas nos últimos dias, depois de vários órgãos de comunicação social recuperarem escutas telefónicas de 2014 relacionadas com negociações para cargos de direção no grupo Global Media, então alegadamente articuladas com Sócrates. Embora nunca tenha sido acusado ou investigado no âmbito desses episódios, o seu nome voltou ao debate político em plena campanha.

Perante a polémica, Gouveia e Melo já tinha defendido, em entrevista à CMTV, que Camões cumpria os critérios de elegibilidade adotados para a candidatura, sublinhando que apenas recusava o apoio de pessoas condenadas ou envolvidas em processos judiciais que indicassem responsabilidade criminal.

No texto agora divulgado, Camões acusa um “cronista e um jornal” de ressuscitarem uma “escuta ilegítima” com o objetivo de condicionar a candidatura do almirante na reserva. Num tom crítico, afirma que a polémica não o atinge pessoalmente, mas que está a ser instrumentalizada para enfraquecer Gouveia e Melo.

“Não admito que o meu nome seja utilizado como pretexto para prejudicar o senhor almirante”, escreve, justificando assim a renúncia com efeitos imediatos. O jornalista reforça ainda que mantém o apoio “incondicional” à candidatura que abraçou por convite do próprio Gouveia e Melo.

A saída de Camões surge poucos dias depois de José Sócrates ter declarado publicamente apoio ao candidato e de Luís Bernardo, ex-assessor do antigo primeiro-ministro, ter admitido colaborar informalmente com a campanha. Estas ligações provocaram tensão durante um debate televisivo na CNN, onde Gouveia e Melo reagiu de forma crítica a questões sobre o apoio do ex-líder socialista.

Com a renúncia, a candidatura procura agora limitar o impacto político das recentes controvérsias, numa fase em que Gouveia e Melo tem insistido num discurso de renovação e exigência ética no espaço público.

Últimas de Política Nacional

Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.
André Ventura questionou esta terça-feira a permanência de Luís Neves à frente do Ministério da Administração Interna, na sequência das acusações feitas pelo antigo secretário-geral Ricardo Carrilho. O presidente do CHEGA falou em suspeitas de pressões para a prática de ilegalidades, questionou a gestão de 26 milhões de euros destinados ao SIRESP e prometeu impedir que a comissão parlamentar de inquérito seja bloqueada.
O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”
André Ventura acusou esta sexta-feira Luís Montenegro de transformar a cobrança de impostos numa prioridade do Governo, enquanto as famílias enfrentam despesas cada vez mais difíceis de suportar. No Parlamento, o presidente do CHEGA denunciou uma receita fiscal recorde, criticou a manutenção do IVA dos combustíveis e das portagens e acusou o primeiro-ministro de se "rir da pobreza dos portugueses".
André Ventura acusou esta quinta-feira PS e PSD de bloquearem a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. No debate de urgência na Assembleia da República, o presidente do CHEGA apontou diretamente a Aguiar-Branco e denunciou aquilo que considera ser uma tentativa de proteger o atual ministro da Administração Interna do escrutínio parlamentar.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves toma posse no dia 14, mas o entendimento parlamentar que limita a duas as CPI em funcionamento pode travar o arranque dos trabalhos. Ventura contesta uma regra que não está "nem na lei nem na Constituição".