Direita quer agravar penas para ocupação ilegal de casas, esquerda diz que são “perceções”

PSD, CHEGA, IL e CDS-PP defenderam hoje o agravamento das penas da ocupação ilegal de habitações, enquanto os partidos da esquerda consideraram que se trata apenas de perceções e acusaram a direita de populismo.

© Folha Nacional

A Assembleia da República debateu hoje três projetos de lei de PSD, CHEGA e IL e um projeto de resolução do CDS-PP que visam criminalizar a ocupação ilegal de casas, endurecer as penas e agilizar os mecanismos para expulsar os ocupantes.

Atualmente, a usurpação de coisa imóvel já está criminalizada pelo Código Penal, mas apenas quando a invasão acontece com recurso a “violência ou ameaça grave”.

Na abertura do debate, o líder do CHEGA defendeu que a “mentalidade criminosa do pós 25 de Abril” não desapareceu, “prevaleceu e ganhou novas formas e novos rostos”.

André Ventura considerou estar em causa uma “injustiça histórica”, além de um “enormíssimo ataque à propriedade tolerado pelo PS e promovido pela extrema-esquerda”, e salientou que “quem ocupa casas é criminoso, e o lugar do criminoso é na prisão”.

Pelo PSD, o deputado Hugo Carneiro alertou para “uma lacuna legal”, uma vez que os ocupantes “aproveitam a ausência do proprietário” e ocupam o imóvel sem violência, e indicou que os sociais-democratas querem que a lei passe a criminalizar esta prática, mesmo que aconteça sem violência.

Hugo Carneiro apontou aos diplomas do CHEGA e da IL “problemas de natureza constitucional, de proporcionalidade, de respeito pelo direito de acesso à justiça e ao contraditório”, mas manifestou abertura para “um debate aprofundado” na especialidade para que o parlamento encontre “uma solução constitucionalmente blindada, proporcional, respeitadora dos direitos fundamentais e dos direitos humanos, mas que resolva em definitivo estes abusos e ilícitos intoleráveis”.

O socialista André Rijo indicou que a estatística criminal “não apresenta dados relevantes” deste fenómeno e considerou que a ocupação ilegal de habitações “é residual”, pelo que não há razão para o “agravamento excessivo” das penas.

“Parece que este debate tem fonte nas clientelas de uma agenda populista e não na realidade do país”, criticou, acusando a direita de querer “legislar com base em perceções”, o que classificou como “populismo penalista”.

Ainda assim, o deputado do PS disse que os socialistas estão disponíveis para trabalhar o diploma do PSD na especialidade.

A intervenção do PS também provocou um comentário do CDS, com João Almeida a considerar “chocante a forma como desvalorizou um atentado a um direito constitucional”.

Também o porta-voz do Livre, Rui Tavares, acusou PSD, IL e CDS de irem “atrás de uma perceção criada pelo CHEGA e completamente falsa”, e indicou que aceitaria agravar penas se estes partidos concordassem em duplicar o IMI para casas devolutas.

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, defendeu que “deve indignar e chocar os portugueses a esquerda considerar que não se deve legislar porque as situações ainda acontecem poucas vezes”.

Pela IL, o líder demissionário, Rui Rocha, adiantou que o partido vai viabilizar todos os projetos em debate porque recusa “todos os tipos de ocupismo-leninismo”.

Num debate interrompido várias vezes pelos apartes das bancadas, a líder parlamentar do PCP disse que o partido “não compactua” com ocupações ilegais e considerou que se trata de situações pontuais, motivadas pela crise no acesso a habitação.

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, acusou o PSD de se ter “tornado numa caricatura da direita” e pediu respostas para resolver a crise da habitação, enquanto a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, defendeu que a solução não passa por “desumanizar” este problema e “ir atrás de populismos”.

Últimas de Política Nacional

Ventura referiu que o CHEGA deu margem ao PSD para mudar o pacote laboral, acreditando que o partido pudesse afastar-se “dos velhos vícios políticos”.
O CHEGA reclamou hoje uma "grande vitória" na revisão constitucional e considerou haver condições para alterar a Lei Fundamental, após o acordo com o PSD que estima a conclusão do processo até ao final da próxima sessão legislativa.
O CHEGA vai votar contra a autorização legislativa pedida pelo Governo para legislar por decreto sobre a criação da Prestação Social Única, anunciou o líder do partido, defendendo uma "discussão aprofundada" no parlamento sobre este tema.
O CHEGA recebeu ‘luz verde’ para levar a plenário o seu requerimento para ser reapreciado o decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, diploma chumbado pelo Tribunal Constitucional.
O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Líder do CHEGA fala em “governação de improviso”, acusa Executivo de esconder falhas no SIRESP e diz que famílias continuam abandonadas meses após os estragos provocados pelas tempestades.
O presidente do CHEGA disse que vai tentar, na especialidade, "corrigir o que está mal" na reforma do Tribunal de Contas, mas espera que a lei não seja aprovada em votação final global e não entre em vigor.
O índice de coincidência parlamentar revela que sociais-democratas votam mais vezes da mesma forma que o PS do que o CHEGA coincide com a votação dos socialistas na Assembleia da República.
O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.