Viagens de José Sócrates aos Emirados custam mais de 10 mil euros

José Sócrates, antigo primeiro-ministro socialista e arguido na Operação Marquês, enviou às redações os bilhetes de duas viagens que realizou recentemente aos Emirados Árabes Unidos, numa tentativa de demonstrar ao tribunal que não ultrapassou o limite de cinco dias consecutivos de permanência no estrangeiro, condição que o obrigaria a comunicar previamente qualquer deslocação ao Ministério Público.

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Segundo cálculos do Correio da Manhã, as duas deslocações, a primeira entre 11 e 16 de novembro e a segunda entre 20 e 25 , representam um gasto superior a 10 mil euros, considerando os valores atuais dos voos em classe executiva, que variam entre 3.000 e 3.500 euros por trajeto.

A divulgação dos bilhetes surge depois de o Ministério Público ter admitido a possibilidade de rever as medidas de coação aplicadas ao ex-governante caso entendesse existir risco de fuga, posição que Sócrates rejeita de forma veemente.

Em declarações enviadas aos jornalistas, o ex-primeiro-ministro contestou a suspeita do MP, recordando episódios anteriores em que, segundo afirma, também foi acusado de risco de evasão.

“Primeiro foi o perigo de fuga no aeroporto, quando estava a entrar no País, não a sair. Sete anos mais tarde, novo perigo de fuga com o doutoramento no Brasil. Agora, 11 anos depois, o perigo de fuga regressa com as viagens a Abu Dhabi. O Ministério Público não tem medo do ridículo”, afirmou.

O motivo das viagens mantém-se desconhecido e não foi esclarecido por Sócrates, que insiste que cumpriu todas as obrigações impostas pelo tribunal e que nenhuma das deslocações ultrapassou o período permitido.

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