CNA acusa Governo de usar “estratagema” para aumentar despesa da Agricultura

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) acusou esta terça-feira o Governo de usar "um estratagema" para poder afirmar que a despesa com a agricultura, florestas e pescas sobe no próximo ano.

© D.R.

Segundo a confederação, o executivo compara o valor previsto para 2026 com o executado no corrente ano.

“Para esconder a sua política e poder dizer que a despesa aumenta em 2026 com a agricultura, as florestas e as pescas, o Governo utiliza um estratagema, que infelizmente já conhecemos bem de governos anteriores, que é comparar o valor previsto para 2026, não com o orçamentado para 2025, mas com o executado”, referiu, em comunicado.

Para a confederação, só assim é possível dizer que há um aumento de 25% na despesa do ministério, quando o corte é de 400 milhões de euros, cerca de 19%.

De acordo com o relatório que acompanha a proposta do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), a despesa do Ministério da Agricultura e Mar vai subir mais de 25% para 1.687,4 milhões de euros.

Destacam-se rubricas como outras despesas correntes, que mais do que duplicou o seu saldo para 151,8 milhões de euros, as transferências correntes, que aumentam 65,8% para 548 milhões de euros, e o investimento, que cresceu 39% para 213,1 milhões de euros.

No sentido inverso, aparecem os subsídios, que têm uma quebra de 44,2% para 69,8 milhões de euros, as transferências de capital, que baixam 9,5% para 253,9 milhões de euros, e os juros e outros encargos, que cedem 6,4% para 13,3 milhões de euros.

Os agricultores apontaram ainda que se o Ministério da Agricultura tivesse inscrito para 2026 o que inscreveu neste ano “estaria anulado o excedente orçamental”, que corresponde a 263 milhões de euros.

“É também à custa das dificuldades dos agricultores, pescadores, pequenos produtores que este Governo pode apresentar um excedente orçamental em 2025 de 0,3% do PIB [Produto Interno Bruto] (cerca de 650 milhões de euros) porque não os executou”, insistiu.

A CNA defendeu assim que a proposta do OE2026 coloca o setor a pagar o excedente, “à custa do desequilíbrio das suas próprias contas”.

A direção da CNA lamentou ainda que, mesmo após os fogos florestais que deflagraram este ano, o OE2026 não se traduza ou aproxime das medidas que se impunham.

“Para um Governo que diz que acabaram as cativações e que o setor agrícola é estratégico, esta proposta de Orçamento do Estado vem contradizer tudo o que nos têm tentado vender”, sublinhou.

O Governo entregou, na quinta-feira, no parlamento a proposta de OE2026, que prevê que o PIB cresça 2% neste ano e 2,3% em 2026.

O executivo pretende alcançar excedentes de 0,3% do PIB em 2025 e de 0,1% em 2026.

A proposta vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro.

A votação final global está marcada para 27 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

Últimas do País

O médico Miguel Alpalhão, que recebeu mais de 700 mil euros em três anos de cirurgias adicionais no Hospital de Santa Maria (Lisboa), foi suspenso de funções com perda total de vencimento.
Os maiores aumentos registaram-se entre mulheres asiáticas, sobretudo oriundas do Bangladesh, que ocupou o segundo lugar no número de episódios nos dois anos analisados.
Um bebé de apenas um ano deixou de respirar nos braços do pai, em Loures, mas a tragédia foi evitada por um agente da PSP que, em poucos segundos, conseguiu reanimá-lo.
O Governo decidiu que a solução para os problemas da saúde não passa por mais médicos, mais recursos ou menos burocracia, passa por criar um novo cargo. As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) vão ganhar vice-presidentes especializados em Saúde, num movimento que promete revolucionar tudo… exceto o que realmente precisa de ser revolucionado.
O mês passado foi o segundo outubro mais quente em Portugal continental desde 1931, tendo sido muito quente e seco, segundo o mais recente boletim climatológico mensal do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) hoje divulgado.
A GNR registou até 31 de outubro 2.856 casos de burla informática através de utilização de aplicações para transferência imediata de dinheiro, informou hoje a Guarda numa nota para assinalar a operação “Comércio Seguro 2025”.
Uma das mais urgentes prioridades para o CHEGA na Câmara Municipal do Porto é pressionar o Executivo de Pedro Duarte a tomar decisões sobre o MetroBus na Avenida da Boavista.
O Conselho das Finanças Públicas confirma o pior cenário: o Serviço Nacional de Saúde afundou as contas públicas em 2024, absorvendo 93% de todos os prejuízos das empresas do Estado.
Portugal está a gastar mais de 40 milhões de euros por ano com reclusos estrangeiros, as prisões estão sobrelotadas, as agressões a guardas aumentam e o sistema aproxima-se do limite.
O Instituto Nacional de Emergência Médica registou este ano 28 intoxicações por monóxido de carbono, mais 10 do que em todo o ano de 2024, e alertou, esta quinta-feira, para os riscos de braseiras, esquentadores e fogões em locais com pouca ventilação.