Prejuízos de 1.738 milhões de euros. SNS volta a ser o maior peso morto nas contas públicas

O Conselho das Finanças Públicas confirma o pior cenário: o Serviço Nacional de Saúde afundou as contas públicas em 2024, absorvendo 93% de todos os prejuízos das empresas do Estado.

© Folha Nacional

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) voltou a destacar-se como o maior responsável pelo colapso financeiro das empresas públicas em 2024. A conclusão é do mais recente relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP), divulgado esta quarta-feira, que retrata um cenário crítico e sem precedentes: só o setor da saúde acumulou 1.738 milhões de euros em prejuízos, quase o dobro dos 969 milhões registados em 2023, representando 93% de todo o resultado líquido negativo do Setor Empresarial do Estado (SEE).

As Entidades Públicas Empresariais (EPE) do SNS — que englobam hospitais e as novas Unidades Locais de Saúde (ULS) — registaram o pior desempenho financeiro de sempre, com perdas que ascendem a 1,7 mil milhões de euros, um agravamento de 769 milhões face ao ano anterior.

O relatório do CFP identifica duas causas principais para o desastre: financiamento cronicamente insuficiente e encargos acrescidos resultantes da criação das ULS, uma reforma apresentada como modernizadora, mas que acabou por sobrecarregar ainda mais um sistema já fragilizado. A integração entre cuidados primários e hospitais, longe de trazer ganhos imediatos de eficiência, criou novos custos operacionais, burocráticos e logísticos.

“O SNS está a rebentar pelas costuras e o Governo continua a fingir que está tudo bem.”

Das 42 entidades do SNS, apenas uma fechou 2024 com resultado positivo, enquanto 30 apresentam capitais próprios negativos, uma situação que, no setor privado, corresponderia a falência técnica.

O presidente do CHEGA, André Ventura, reagiu de imediato aos números, acusando o Governo de “esconder a verdadeira dimensão do colapso financeiro da saúde pública”.

“Estamos perante a prova cabal de que o SNS está a rebentar pelas costuras”, afirmou Ventura ao Folha Nacional. “O Governo brincou às reformas, inventou as ULS sem garantir financiamento e agora empurra os prejuízos para cima dos contribuintes.”

Para o líder da oposição, o relatório do CFP confirma uma tendência que o partido tem vindo a denunciar: “Há anos que o SNS está em pré-ruptura. O que vemos agora é o resultado de décadas de má gestão, promessas vazias e incapacidade política.”

O presidente do segundo maior partido sublinhou ainda que o peso dos prejuízos do SNS no conjunto do SEE é “um sinal inequívoco de que o Estado perdeu o controlo da sua maior responsabilidade social”.

“Quando um único setor absorve quase todos os prejuízos do Estado, isso diz tudo sobre a incompetência de quem governa. O SNS não precisa de propaganda, precisa de gestão séria e de responsabilização.”

O Conselho das Finanças Públicas deixa um alerta: sem reformas profundas no modelo de financiamento e na governação das entidades hospitalares, o rombo continuará a aumentar.

Últimas do País

O Ministério Público acusou um homem em situação de sem-abrigo de homicídio qualificado da companheira em Alenquer, no distrito de Lisboa, na viatura onde habitualmente dormiam.
Uma brigada florestal animal composta por vacas maronesas está a pastar e a limpar um terreno de 6,5 hectares, em Vila Pouca de Aguiar, e a ajudar a prevenir incêndios rurais, num projeto apresentado esta sexta-feira.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve nos distritos de Braga, do Porto e de Aveiro 12 suspeitos de integrarem um grupo criminoso organizado que se dedicava à produção de grandes quantidades de canábis, indicou hoje esta força de investigação criminal.
O líder parlamentar do CJEGA, Pedro Pinto, diz que nada melhorou no Serviço Nacional de Saúde (SNS), aponta mortes nos hospitais, falta de médicos de família.
Meses depois da tragédia que matou 16 pessoas em Lisboa, a Polícia Judiciária avançou para buscas e investiga agora suspeitas de graves falhas de segurança no Elevador da Glória.
O aeroporto de Lisboa vai ter a partir desta sexta-feira, 29 de maio, um reforço de 48 agentes da PSP e mais ‘boxes’ e ‘e-gates’, segundo o Ministério da Administração Interna (MAI).
Um estudo da Rede Europeia Anti-Pobreza divulgado hoje conclui que o risco de pobreza em Portugal sobe de 16,6% para 27,6% se foram considerados os custos com a habitação.
Regiões a sul do rio Tejo estão em situação de onda de calor, tendo Mora atingido na quarta-feira os 40,3ºC, um extremo absoluto para um mês de maio, foi hoje divulgado.
A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) disse hoje que os passageiros que percam voos devido a tempos de espera prolongados nos controlos de fronteira não têm direito a indemnização ou assistência ao abrigo das regras europeias sobre transporte aéreo.
Sondagem mostra apoio à exigência de André Ventura de condicionar aprovação da reforma laboral à redução da idade da reforma em Portugal.