Contratos públicos disparam para sociedade ligada a ex-ministro do PSD com Montenegro

A sociedade de advogados Sérvulo & Associados, onde o ex-ministro social-democrata Rui Medeiros é uma das figuras mais proeminentes, está a atravessar um período de forte crescimento no volume de contratos públicos, especialmente desde a chegada de Luís Montenegro ao Governo.

© Facebook de Luís Montenegro

Segundo revelado pelo Página Um, a firma celebrou na última semana um novo contrato com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), no valor de 492 mil euros, através de ajuste direto, um mecanismo excecional que dispensa concurso público e cuja utilização recorrente tem levantado críticas.

O contrato agora adjudicado enquadra-se no apoio jurídico especializado à contratação pública, incluindo matérias de elevada complexidade técnica. No entanto, a justificação apresentada pelos SPMS,  alegada impossibilidade de definir critérios para concurso, volta a expor, de acordo com o Página Um, um padrão de contratação que tem funcionado como porta aberta para escritórios com ligações políticas históricas. O nome de Rui Medeiros surge novamente como signatário do acordo, reforçando a perceção de proximidade entre a estrutura da sociedade e decisores do PSD.

A tendência intensificou-se com Montenegro em São Bento: desde abril de 2024, a Sérvulo & Associados arrecadou quase 700 mil euros apenas em contratos com os SPMS, somados aos mais de 3 milhões de euros celebrados com outras entidades públicas no mesmo período. Os dois últimos anos são já os melhores de sempre para a sociedade, que alcançou um total de 7,5 milhões de euros em contratos públicos, superando largamente biénios anteriores.

Mais preocupante, segundo a investigação do Página Um, é o padrão de contratação: de cerca de 500 contratos analisados, 87% foram adjudicados por ajuste direto, representando mais de 23 milhões de euros sem concurso público. Apesar de ser uma figura legal, a exceção acabou por se tornar regra, sobretudo em áreas sensíveis como a contratação no setor da Saúde, que deveria exigir maior transparência e competição.

Este cenário é particularmente desconfortável no plano político, uma vez que os SPMS dispõem de equipas internas de juristas e especialistas em contratação pública. A insistência na contratação externa, e sempre das mesmas estruturas, levanta questões sobre a real necessidade destes serviços e sobre a coerência das promessas de rigor e transparência feitas pelo Governo.

Últimas de Política Nacional

O depoimento de Cristina Vaz Tomé não convenceu e é apontado como insuficiente. O partido liderado por André Ventura quer novo escrutínio para esclarecer responsabilidades políticas e operacionais.
André Ventura é apontado como principal líder da oposição pelos inquiridos, reunindo mais de metade das preferências e destacando-se claramente dos restantes líderes partidários
O Parlamento elegeu André Ventura como membro do Conselho de Estado, no âmbito de uma lista que garantiu a maioria dos lugares neste órgão consultivo do Presidente da República.
O antigo secretário de Estado socialista Tiago Antunes falhou hoje a eleição para o cargo de provedor de Justiça ao alcançar um resultado inferior a dois terços, tendo apenas 104 votos favoráveis num total de 230 deputados.
O CHEGA acusou hoje o Governo de atirar "dinheiro fora" na saúde e deixar cair novas unidades. André Ventura referiu que "311 milhões de euros foram alienados do PRR e coisas como o Hospital Oriental de Lisboa já não vão avançar".
O líder do CHEGA acusou o Governo de ignorar o impacto real do aumento do custo de vida, questionando a ausência de medidas concretas para aliviar os preços dos combustíveis, da alimentação e a carga fiscal sobre as famílias.
Um mês depois de uma polémica envolvendo alegado favorecimento, o Secretário de Estado da Gestão da Saúde foi exonerado a seu pedido, sendo substituído de imediato por um gestor com longa carreira financeira.
A passagem de Silvério Regalado pela Câmara Municipal de Vagos está a gerar crescente contestação no concelho, depois de terem vindo a público os números das contas municipais.
O presidente do CHEGA revelou este sábado que o partido e o Governo PSD/CDS-PP têm reuniões marcadas, para a próxima semana, para discutir o fim do visto prévio do Tribunal de Contas em contratos até aos 10 milhões de euros.
O líder do CHEGA disse estar disponível para chegar a um consenso com o Governo PSD/CDS-PP na revisão laboral, mediante algumas condições, mas, para isso, o executivo tem de querer e parar “de se vitimizar”.