GRONELÂNDIA “TERRA VERDE”

A maior ilha do globo, a Gronelândia, voltou a estar nas manchetes da comunicação social. Esta apressou-se a ridicularizar as pretensões do presidente norte-americano Donald Trump. Como sempre os jornalistas mostraram pouco conhecimento, infantilidade e pouco trabalho de enquadramento histórico.

A ilha da Gronelândia, apelidada de Terra Verde nas línguas escandinavas, é conhecida pelos escandinavos desde o século IX. Os assentamentos foram estabelecidos na costa sudoeste da ilha por ter um clima menos agreste. A partir deste período (século XVI e XVII) os assentamentos escandinavos diminuíram ou foram mesmo extintos pela fome e pressão dos povos Inuit. Durante o século XVI e com a união do Reino da Noruega e da Dinamarca, a Gronelândia passou a ser encarada como uma colónia dinamarquesa tal como a Islândia. Com a separação, em 1814, as colónias passaram efetivamente para o domínio dinamarquês que encetou novos esforços de as colonizar.

Com a independência da Noruega, novas reivindicações sobre o território surgiram. Em 1933 a Sociedade das Nações acabou por interceder pela Dinamarca. Em 1941, os Estados Unidos da América ocupam a Gronelândia e a Islândia por temerem a ocupação pela Alemanha Nazi que ocupava a Dinamarca e a Noruega. Após a II Guerra Mundial a influência a norte-americana aumentou instalando bases militares e espaciais na ilha. A Islândia declarou a independência da Dinamarca em 1944, a Gronelândia voltou para a administração dinamarquesa em 1953, após a adesão da Dinamarca à NATO em 1951. A Gronelândia viu reconhecido o seu direito ao autogoverno em 1979 e saiu voluntariamente da União Europeia em 1985. A influência americana neste território, escassamente povoado, aumentou bastante após a segunda grande guerra.

A primeira proposta de aquisição norte americana remonta a 1867 aquando da compra do Alasca pelo secretário de estado Willian Seward. Chegou a ser negociada uma proposta de compra da Islândia e da Gronelândia há Dinamarca. Acabou por não avançar, provavelmente, pela soberania dos territórios ser disputada entre a Dinamarca e a Noruega.

Em 1910, houve nova proposta para a aquisição da Gronelândia discutida entre o governo americano e o embaixador dos Estados Unidos na Dinamarca, Maurice Francis Egan. Existia a intenção de trocar as ilhas filipinas de Mindanao e Palawan pela Gronelândia, para depois as negociar com o Império Alemão.

Durante a I Guerra Mundial no contexto da aquisição das Índias Ocidentais Dinamarquesas houve nova tentativa de fazer a compra conjunta com a Gronelândia. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Robert Lansing, propôs que as duas questões fossem combinadas. No entanto a Dinamarca acabou por apenas vender o arquipélago, hoje denominado Ilhas Virgens Americanas, em 1916.

Durante a II Guerra Mundial os Estados Unidos ocuparam militarmente a Gronelândia e a Islândia. Com a independência efetiva da Islândia, houve propostas efetivas de compra em 1946 e 1955 por parte do governo norte-americano, que passou a ter grande influência política na ilha.

Com a abertura de novas rotas marítimas no Ártico e a procura de “terras raras” (minérios raros – o “petróleo” do século XXI) o interesse pela Gronelândia aumento exponencialmente.

De facto, a Dinamarca e a Europa terão de ser bastante firmes e convincentes perante Norte-Americanos e Gronelandeses. Durante a segunda grande guerra, perante o interesse Britânico e Americano pela ilha Terceira nos Açores, Salazar deslocou imediatamente 10 000 a 15 000 tropas portugueses para a ilha numa afirmação de soberania. Posteriormente negociou os termos em que a ilha poderia ser usada no contexto da II Guerra Mundial.

A Dinamarca se pretende afirmar a soberania de um território, que não é União Europeia, terá de ser mais incisiva. Não sei se a opinião pública dinamarquesa está disposta a defender um território cobiçado por americanos, russos e chineses.

Artigos do mesmo autor

Na última Assembleia Municipal de Mira (AMM) a bancada do Partido Social Democrata (PSD), na voz de um dos seus deputados mais velhos, apelidou os habitantes da Vila da Praia de Mira de bêbados entre outros mimos. Para além de ofender os habitantes da “nossa” vila piscatória e turística acaba também por ofender todos os […]