Presidenciais: Seguro e Ventura marcam lugar na segunda volta em noite de derrota pesada para Marques Mendes

António José Seguro e André Ventura foram os vencedores da primeira volta das presidenciais de domingo, marcando presença na disputa de 08 de fevereiro, numa eleição em que Luís Marques Mendes registou para o PSD o pior resultado de sempre em atos eleitorais.

© Folha Nacional

Com 31,1% e cerca de um milhão de 700 mil votos, Seguro terá conseguido fixar não só os votos do PS, que liderou entre 2011 e 2014, mas da esmagadora maioria dos eleitores da esquerda, deixando os candidatos apoiados pelo Livre, BE e PCP, que nas legislativas somavam 10%, com uma votação residual, na casa dos 4%.

O antigo secretário-geral socialista foi mesmo o grande vencedor da noite, não apenas por ter concentrado os votos da esquerda, mas por ter partido para a eleição presidencial com sondagens adversas que o colocavam quase sempre atrás de candidatos como o almirante na reserva Henrique Gouveia e Melo, o primeiro a aparecer como favorito, ou Luís Marques Mendes, que a determinada altura era o mais bem colocado nos estudos de opinião.

No final da noite, Seguro procurou alargar o leque dos seus apoios para a segunda volta, recuperando a máxima de Mário Soares e prometer que será “o Presidente de todos os portugueses” e afirmando que recebeu votos “oriundos de todos os campos políticos”, o que “reforça o caráter independente da candidatura”. “Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como Presidente da República”, acentuou.

André Ventura foi o outro vencedor da noite eleitoral. Com 23,5% e cerca de um milhão e 300 mil votos, Ventura conseguiu fidelizar o eleitorado do CHEGA nas últimas legislativas (1,43 milhões de votos) e partir para a segunda volta a reclamar o papel de líder da direita em Portugal.

“Eu vou agregar a direita a partir de hoje”, repetiu Ventura durante a noite eleitoral, aproveitando o brecha entreaberta pelo líder social-democrata e primeiro-ministro, Luís Montenegro, que não perdeu tempo para indicar que “o PSD não emitirá qualquer indicação de voto” na segunda volta das presidenciais e “não estará envolvido na campanha”.

João Cotrim Figueiredo, ex-líder da Iniciativa Liberal, apesar de ter quase triplicado o resultado do seu partido nas últimas legislativas, teve uma noite agridoce, uma vez que falhou o seu principal objetivo de disputar a segunda volta.

Após uma campanha quase sempre em crescendo, embora com dois momentos embaraçantes – quando admitiu apoiar Ventura na segunda volta e quando foi acusado de assédio sexual por uma ex-assessora da IL – Cotrim alimentou sempre a esperança na segunda volta, hipótese que viria a gorar-se na noite eleitoral. Apesar de ter admitido apoiar Ventura durante a campanha, Cotrim Figueiredo seguiu a batuta de Luís Montenegro e anunciou que não endossaria o voto para a segunda volta das presidenciais.

Luís Marques Mendes foi o principal derrotado da noite, tendo em conta que era o candidato apoiado pela coligação que suporta o Governo, PSD e CDS-PP, e chegou a aparecer em primeiro lugar nas sondagens. Mas o ex-ministro social-democrata ficou em quinto, com 11,3% e pouco mais de 630 mil votos, embora na eleição presidencial mais disputada de sempre, com 11 candidatos. “A responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha”, assumiu Marques Mendes, que também decidiu não apoiar qualquer candidato na segunda volta.

Henrique Gouveia e Melo, o almirante na reserva que chegou a ser tido por comentadores como futuro Presidente quando aparecia destacado nas sondagens, ficou-se pelo quarto lugar, com 12,3% e pouco menos de 700 mil votos. Gouveia e Melo assumiu que os resultados ficaram aquém dos seus objetivos, mas avisou que o país continuará a contar com a sua “participação cívica”.

Também uma derrotada pesada tiveram os partidos à esquerda do PS – Livre, PCP e BE – cujos candidatos Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins não ultrapassaram uma votação residual, que toda somada andou nos 4%. Catarina Martins obteve 2%, António Filipe 1,6% e Jorge Pinto 0,6%, este último co menos votação do que o músico Manuel João Vieira (1,08%).

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA contesta limitações ao objeto da comissão de inquérito e quer escrutinar toda a passagem de Luís Neves pela direção da PJ, incluindo o seu afastamento da Operação Influencer e perceber se decisões tomadas durante o mandato sofreram influência política.
Luís Montenegro vai enfrentar o debate da moção de censura apresentada pelo CHEGA no dia 8 de setembro, às 15h00. Partidos decidiram acelerar os prazos para que o país não fique à espera de uma resposta política à iniciativa apresentada na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Presidente do CHEGA anunciou esta quarta-feira que o partido deu entrada de uma moção de censura ao Governo e considera a decisão “irreversível”. André Ventura acusa Luís Neves de não esclarecer as suspeitas que têm marcado a polémica em torno do ministro, critica o silêncio de Montenegro e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA quer saber como Portugal vai pagar as novas fragatas e quanto custarão os juros. Ventura acusa ainda o Governo de ter adotado a “escola Luís Neves”: “Fala quando quer, sobre o que quer.”
Adjuntos, assessores e chefes de gabinete passaram dos corredores do Governo para lugares na Administração Pública. Em 17 casos, entraram em regime de substituição e, em dois, o percurso já terminou com uma nomeação por cinco anos.
Partido liderado por André Ventura questiona o Governo sobre o destino das habitações financiadas pelo PRR e pelo 1.º Direito e exige números sobre os beneficiários. Perante milhares de portugueses à procura de casa e uma oferta pública escassa, o CHEGA defende prioridade para cidadãos nacionais e para quem demonstre uma ligação duradoura e contributiva ao país.
Presidente do CHEGA considera que Luís Montenegro perdeu autoridade sobre o ministro da Administração Interna e avisa que, se não houver uma decisão sobre Luís Neves, o partido admite avançar com uma moção de censura. André Ventura acusa o ministro de ter arrastado o país para um “lamaçal político” e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA considera “absolutamente razoável” o projeto que proíbe a mudança de sexo em menores de idade e reafirma a intenção de manter a iniciativa, rejeitando o apelo da ONU para que seja retirada ou revista.
Bancada de André Ventura apresentou dois projetos de lei, 14 projetos de resolução e avançou com a comissão de inquérito à liderança de Luís Neves na PJ. Somam-se ainda 28 perguntas dirigidas ao Governo.
A nomeação foi feita pelo presidente do CHEGA, André Ventura, em nome da Direção Nacional, e validada por todos os seus membros. Eduardo Teixeira assume agora um dos dossiês mais exigentes e estratégicos do partido, numa altura em que o forte crescimento autárquico do CHEGA trouxe uma nova dimensão e maiores responsabilidades à estrutura partidária.