Mau tempo: Prejuízos já ultrapassam os 4,2 milhões de euros no Peso da Régua

Os prejuízos causados pelo mau tempo no Peso da Régua ascendem a 4,2 milhões de euros em quedas de taludes, de muros e danos na rede viária deste concelho do sul do distrito de Vila Real.

© D.R.

O presidente da câmara da Régua, José Manuel Gonçalves, afirmou hoje à agência Lusa que já foi feita uma primeira aferição dos danos provocados pelas chuvas intensas, acompanhadas pelo vento forte, em taludes, muros e pavimentos que “ficaram bastante deteriorados e destruídos”.

O autarca disse que uma primeira estimativa, ainda “muito superficial”, aponta já para valores na ordem dos 4,2 milhões de euros.

“E eu diria que ainda vai subir mais alguma coisa relativamente a este valor”, salientou, referindo que no terreno já decorrem trabalhos com vista à reposição da normalidade no concelho, aguardando, naturalmente, “que também venham linhas de financiamento e de apoio por parte do Governo”.

José Manuel Gonçalves disse ter a expectativa de que sejam criadas medidas de apoio à recuperação e considerou que tem havido, “no fundo, essa mensagem, por parte do Governo”.

“Sabemos que os recursos são finitos, que as necessidades são imensas e que vai ter que haver uma forma justa e equilibrada de os distribuir para aqueles que mais necessitam”, salientou.

Acrescentou que o nível de destruição sentido localmente em “nada se compara com aquilo que aconteceu na região Centro” e que, por isso, os níveis de apoio serão diferentes em termos de montantes.

“Mas também teremos de ter acessos a apoios para podermos recuperar o grave prejuízo que temos aqui na nossa região”, defendeu José Manuel Gonçalves.

Segundo o presidente, neste concelho inserido na Região Demarcada do Douro há situações “mais complexas”, como a que se verificou na zona do Vale da Cunca, onde a estrada está interrompida prejudicando as populações de Canelas e Poiares, e que “vão requerer soluções mais estruturais”.

“Hoje mesmo temos uma equipa a fazer sondagens no Vale da Cunca para avaliarmos qual é a solução estrutural para resolvermos aquele problema que poderia ter sido de enorme gravidade”, afirmou, explicando que foi detetado um lençol freático debaixo da estrada que poderia ter originado uma grande derrocada.

Mas há outras estradas afetadas pelo mau tempo neste concelho com “condicionantes que preocupam” e para as quais o município procura soluções.

Com a descida do caudal do rio Douro, também já foi possível começar a fazer a limpeza da zona ribeirinha que esteve submersa nas últimas semanas.

O rio submergiu a ecopista e também o cais fluvial da Régua, onde existem três edifícios, incluindo um bar, de onde foram, previamente, retirados bens e equipamentos.

O município está a preparar um relatório detalhado e pormenorizado para remeter ao Governo.

“Estamos no terreno a fazer esse trabalho”, apontou José Manuel Gonçalves.

Em simultâneo, o município está a ajudar os viticultores no preenchimento dos formulários ‘online’, disponibilizados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), para reporte dos prejuízos nas explorações agrícolas, designadamente deslizamentos de terras, quedas de muros de pedra e de socalcos e arrastamento de videiras.

“Pelas próprias características das encostas que temos e da localização da vinha, eu diria que esta zona do Baixo Corgo foi a zona mais fustigada”, referiu.

O autarca defendeu também apoios aos viticultores.

“Bem basta já a situação económica em que se encontram nesta área do setor vitivinícola. Seria muito penalizador se, agora, não se encontrassem formas de apoiar esta gente, para dizer que eles são importantes e os queremos manter na atividade”, sublinhou.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

Últimas de Economia

O ‘stock’ de empréstimos para habitação atingiu, em julho, 118.021 milhões de euros, o equivalente a uma taxa de variação anual de 11%, a mais alta desde fevereiro de 2003, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
O valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu um novo máximo histórico de 2.240 euros por metro quadrado em julho, mais 12 euros do que no mês anterior e 15,2% acima do mês homólogo de 2025, divulgou hoje o INE.
Presidente do CHEGA quer saber quantas pessoas acumulam salários e pensões, quantas reformas ultrapassam os 5000, 8000 e 15 mil euros e quanto foi pago em suplementos. Ventura rejeita qualquer caminho para cortes nas pensões e anunciou um projeto de resolução para uma auditoria à Segurança Social.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta segunda-feira o Governo de roubar os portugueses nos combustíveis ao cobrar “um imposto ilegal”, a contribuição rodoviária, e revelou que o partido vai chamar o ministro das Finanças ao Parlamento.
O preço eficiente dos combustíveis sobe esta semana para 2.021 euros na gasolina 95 simples e 2.115 euros no gasóleo simples, adiantou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
Um trabalhador com salário médio custa 27.953 euros por ano à empresa, mas leva para casa apenas 16.184 euros. Pelo caminho, ficam 11.769 euros em impostos e contribuições.
Quase dois milhões de euros por dia chegaram à Infraestruturas de Portugal em 2025 através do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos. A verba corresponde à antiga Contribuição de Serviço Rodoviário, considerada incompatível com o direito europeu em 2022.
O presidente do CHEGA contesta as conclusões do relatório sobre a Segurança Social e expõe o Governo de estar a preparar o debate para reduzir pensões ou travar futuros aumentos. Partido mantém a proposta de baixar a idade da reforma.
O preço dos combustíveis para transporte privado subiu 16,9% na União Europeia em julho, face ao mesmo mês de 2025, com Portugal a registar uma subida na ordem dos 16,7%, segundo dados do Eurostat.
Quem entra agora no mercado de trabalho poderá chegar a 2065 com uma pensão equivalente a apenas 70,3% do salário de referência. Especialistas antecipam “perdas significativas” em todos os níveis salariais.