Agricultura perdeu 210.000 trabalhadores nos últimos 30 anos

O setor agrícola português, nas últimas três décadas, passou de 430.000 para 220.000 trabalhadores, sendo que quatro em cada 10 são estrangeiros, mas a produtividade mais do que duplicou, segundo um estudo revelado esta quarta-feira.

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“Desde 1995, o volume de mão-de-obra agrícola caiu de mais de 430.000 para cerca de 220.000 unidades, enquanto o Valor Acrescentado Bruto (VAB) permaneceu estável até 2015 e cresceu de forma expressiva na última década, revelando um setor mais produtivo e orientado para a criação de valor”, revelou a consultora Consulai.

De acordo com o estudo “Evolução do Trabalho na Agricultura em Portugal”, a produtividade agrícola aumentou graças ao impulso da mecanização, irrigação, especialização e gestão empresarial. Contudo, entre 2015 e 2023, o emprego agrícola subiu de 165.000 para 180.000, representando 4,7% do emprego nacional.

Predominam as microempresas, com menos de 10 trabalhadores, embora o peso das médias e grandes explorações tenha aumentado. Mais de 40% dos trabalhadores do setor agrícola são estrangeiros, “um peso que quadruplicou desde 2014 e que não tem paralelo em nenhum outro setor da economia portuguesa”.

Conforme apontou, em culturas intensivas e sazonais a dependência de mão-de-obra estrangeira “é crítica”. No que se refere ao nível de qualificação, 81,5% dos trabalhadores do setor agrícola têm apenas o ensino básico. São, sobretudo, os portugueses que estão nos níveis de escolaridade mais baixo, enquanto os estrangeiros “apresentam uma formação mais diversificada e qualificada”.

A mão-de-obra familiar tem vindo a envelhecer, com a idade média a passar de 46 anos em 1989 para 59 anos em 2023. Entre 2007 e 2023, o ganho médio mensal no setor agrícola cresceu 55% para 1.742 euros. Os profissionais com ensino superior recebem, em média, 2.386 euros, enquanto quem tem o ensino básico aufere 1.288 euros.

O Alentejo concentra mais de metade da Superfície Agrícola Utilizada (SAU) nacional, mas apenas 11,3% da mão-de-obra. Por sua vez, o Algarve e a Beira Litoral têm a maior produtividade, mais de 5.200 euros por hectare, apesar do peso reduzido da SAU. Já Trás-os-Montes e a Beira Interior mantêm modelos extensivos, com muitas explorações e baixa produtividade por hectare, “relevando estruturas tradicionais, menos mecanizadas e dependentes de trabalho manual”.

Para a realização deste estudo foram tidos em conta dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Gabinete de Estratégia e Planeamento, do Banco de Portugal, do Recenseamento Agrícola e do Eurostat.

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