Autarca do PS contrata escritório onde trabalha a filha

A Câmara Municipal de Matosinhos adjudicou, por ajuste direto, um contrato à sociedade de advogados Vieira de Almeida, onde a filha da presidente socialista da autarquia, Luísa Salgueiro, exerce funções como advogada estagiária.

© José Coelho/Lusa

Segundo avançou o Correio da Manhã, o contrato foi celebrado a 18 de fevereiro de 2026 e prevê o pagamento de 19.500 euros pela elaboração de um parecer jurídico relacionado com a ampliação e reorganização do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões.

De acordo com os dados disponíveis no Portal Base, a autarquia justificou a contratação com a falta de recursos internos especializados para responder à complexidade do tema em causa, tendo optado por recorrer a uma sociedade externa.

Este é, segundo a mesma informação, o único contrato registado entre a Câmara de Matosinhos e a Vieira de Almeida nos últimos anos. A ligação familiar surge, no entanto, pelo facto de Beatriz Salgueiro Esteves, filha da autarca, ter iniciado estágio na sociedade em 2025.

Em resposta ao Correio da Manhã, o município garantiu que a escolha da sociedade assentou exclusivamente em critérios técnicos e na necessidade de obter um parecer num curto espaço de tempo. A autarquia sublinha ainda que a advogada estagiária não teve qualquer intervenção no processo de contratação nem na elaboração do parecer.

Luísa Salgueiro cumpre atualmente o terceiro mandato à frente da Câmara de Matosinhos, tendo também desempenhado funções como presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses no mandato anterior.

O caso está a gerar atenção devido à coincidência entre a contratação e a ligação familiar à sociedade de advogados escolhida, ainda que a autarquia rejeite qualquer irregularidade no processo.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA diz que mais de 90% dos contratos públicos podem escapar ao controlo prévio e acusa PSD e PS de enfraquecerem a fiscalização do dinheiro dos portugueses.
Os alertas surgem numa altura em que continuam a multiplicar-se investigações relacionadas com corrupção, contratação pública e utilização de fundos públicos em Portugal.
Raul Cunha, ex-presidente da Câmara de Fafe, eleito pelo PS, e membros do antigo executivo municipal vão responder em tribunal por alegados crimes ligados a contratação pública e negócios com uma cooperativa participada pelo próprio município.
Depois de anos de discursos sobre transparência e combate à corrupção, PSD e PS juntaram-se numa proposta que mexe com o escrutínio dos dinheiros públicos.
O constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia considerou hoje que o Tribunal Constitucional impediu a aplicação de uma medida que a Constituição já permite, ao declarar inconstitucional o decreto que instituía a perda de nacionalidade para crimes graves.
Num país onde a maioria dos portugueses luta para chegar ao fim do mês, o CHEGA questiona como é possível existirem funcionários de organismos públicos a ganhar mais do que o próprio Primeiro-Ministro.
André Ventura considerou esta terça-feira que o primeiro-ministro “não pode pedir” ao CHEGA para viabilizar reformas “más para o país” e defendeu que o Governo “será avaliado” tanto pelas reformas que fez como por aquelas que não fez.
O líder do CHEGA, André Ventura, assegurou hoje que "não assinará nunca" uma reforma laboral que dificulte a vida dos trabalhadores e pediu ao Governo que faça um esforço de aproximação.
O presidente do CHEGA indicou hoje que o partido não aceita qualquer reforma que se traduza em "menos fiscalização" no Tribunal de Contas.
O líder do CHEGA, André Ventura, considerou esta sexta-feira que a proposta de lei do Governo para alterar a lei laboral "é má" e, como está, "não deve ser aprovada", mas indicou que mantém a disponibilidade para negociar.