“O primeiro-ministro quer vitimizar-se de reformas que faz mal, e eu não vou contribuir para essa vitimização. Quando chegar o momento de ser feita essa avaliação, o primeiro-ministro será avaliado pelas reformas que fez ou que deixou de fazer”, afirmou.
André Ventura falava aos jornalistas antes do arranque do segundo e último dia das jornadas parlamentares do Chega, que decorrem em Viseu. O líder do Chega considerou que Luís Montenegro “será também avaliado pelas más reformas que fez e que tentou fazer aprovar”.
“Ora, não pode dizer que o Chega não o deixa aprovar reformas, quando as reformas que quer fazer é para tirar rendimentos a quem trabalha e para aumentar o nível de confusão, em vez de ser para lutar contra a corrupção.Portanto, não pode pedir ao Chega que lhe viabilize reformas, quando as únicas reformas que tem para apresentar são más para o país”, sustentou.
Na sua moção de estratégia global, o presidente do PSD e recandidato afirma que manterá o compromisso de “não ter uma solução de governo nem com o Chega nem com o PS”, mas considera ser absurdo falar de “cercas sanitárias” no Parlamento.
Numa curta declaração, o líder do Chega considerou que também “isso não é grande novidade” e disse não querer “alimentar uma coisa que não tem nada para alimentar”. “O não é não, não devia ser sobre isto, o não é não devia ser assim ‘o país não quer reformas da treta, não é não’”, disse.
Já na apresentação da moção, na segunda-feira à noite, Luís Montenegro avisou que irá forçar os partidos a “revelarem-se” na hora de votar transformações no Estado, criticando os que pedem reformas, mas não na “sua casa ou no seu setor”.
O candidato à liderança no partido nas eleições diretas de 30 de maio deixou este aviso horas após o líder do Chega ter avisado que o seu partido vai votar contra a nova lei de organização do Tribunal de Contas, que vai a debate quarta-feira no Parlamento, “se o Governo mantiver o fim do visto prévio nestes termos, se o Governo continuar a ter esta ideia de acabar com a fiscalização do Tribunal de Contas para os contratos públicos, basicamente, de matar o Tribunal de Contas, de matar a fiscalização”.
“Eu sei que, por estes dias, tantos daqueles que clamam por esse Estado ágil, esse Estado eficiente, chegamos à conclusão que é apenas clamor para político ver, porque, quando chega à realidade das decisões, têm medo, metem a viola ao saco e fazem de conta que não é nada com eles”, criticou Montenegro.