Indicação do CHEGA ao TC? “Alcançado e materializado”, diz Ventura

O líder do CHEGA, André Ventura, afirmou que a indicação do partido para o Tribunal Constitucional (TC) "foi alcançado e está materializado", depois de ser noticiado que o PS e o PSD tinham concordado em adiar a eleição de juízes do TC para início de maio.

© Folha Nacional

O líder do CHEGA, André Ventura, afirmou, esta terça-feira, que a indicação do partido para o Tribunal Constitucional (TC) “foi alcançado e está materializado”, depois de ser noticiado que o PS e o PSD tinham concordado em adiar a eleição de juízes do TC para início de maio.

“Quero voltar a sublinhar que este entendimento foi com o PSD e que o PSD, connosco, estabeleceu uma plataforma de entendimento para que preenchêssemos uma série de órgãos externos que estavam por preencher, como o Conselho Superior de Magistratura, como o Conselho Superior do Ministério Público, entre outros”, começou por explicar, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

E acrescentou: “É nesse sentido um acordo importante porque permite ultrapassar um impasse que tínhamos há semanas aqui no Parlamento, tendo sido possível chegar a um consenso mínimo entre os partidos para preencher esses órgãos”.

Já sobre o adiamento da eleição de juízes para o Tribunal Constitucional, André Ventura referiu que havia “novos elementos sobre a mesa de negociação, novos dados”, destacando os pontos importantes para o CHEGA.

“Um, garantir que havia uma indicação do CHEGA para o TC e isso foi alcançado e está materializado. O juiz Luís Brites Lameiras será indicado e votado, esperamos, pelo Parlamento como novo juiz do TC”, apontou.

E continuou: “No entanto, entendendo-se que havia um novo contexto no TC que obrigaria a prolongar a negociação por mais algumas semanas, o CHEGA decidiu dar anuência a esse processo como forma a garantir um consenso e um acordo que desbloqueia este impasse também”.

O líder do CHEGA explicou que “os juízes não serão votados no mesmo dia que os restantes órgãos”, sendo apenas algumas semanas depois.

“Em qualquer caso, estamos muito perto de garantir que três ou quatro nomes serão votados massivamente pelo Parlamento, pelo menos, procurando alcançar a tal maioria de dois terços que é possível alcançar nesta matéria”, afirmou.

André Ventura disse ainda que a negociação sobre os nomes a indicar para os juízes do Palácio Ratton ainda está “em curso”, mas “o que já é certo é que dois nomes serão do PSD e um do CHEGA”.

De acordo com Ventura, o nome do quarto juiz ainda está a ser negociado para o caso de “o presidente José João Abrantes sair” do TC.

A decisão de adiar novamente a eleição dos juízes do Tribunal Constitucional, desta vez para maio, acontecer por forma a não haver um ato eleitoral “fatiado”, segundo o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. O social-democrata anunciou ainda a lista que vai indicar o partido para o Conselho de Estado.

E o debate de urgência?

Sobre ter pedido um debate de urgência com o Governo no Parlamento, André Ventura realçou que vem na sequência da subida dos preços dos combustíveis e do que Executivo de Luís Montenegro “tem lucrado”.

“Achamos que isto tem de ter uma resposta rápida e eficaz. O Governo anunciou, entre ontem e hoje, uma nova configuração dos impostos sobre os combustíveis que pode ajudar, de alguma maneira, a ir no caminho que temos dito há várias semanas, que é o caminho de diminuir a cargas fiscal sobre os combustíveis num país que paga mais de 55% de carga fiscal”, explicou, acrescentado que, por isso, o CHEGA decidiu “agendar um debate de urgência para que o Governo seja obrigado a ir ao Parlamento e dizer ao país que respostas tem para dar”.

Para o presidente do partido, isto aplica-se, não só em matéria de combustíveis e dos impostos sobre os combustíveis, “mas também no cabaz alimentar e no IVA sobre os produtos alimentares e também sobre os impostos relativamente à habitação”.

“É nestas três áreas que, na nossa perspetiva, o Governo deve atuar e, por isso, entendemos que o debate de urgência na quarta-feira era muito importante para obrigar o Governo a vir a jogo. Vemos outros governos – em Itália, Espanha, Grécia, Alemanha – a tomarem medidas radicais de defesa da população em matéria de combustíveis e habitação e o governo português parece que anda absolutamente alheado do que se está a passar e da crise que as pessoas estão a viver. Achamos que era urgente e importante que isso fosse feito”, disse.

Sobre a lista para o Conselho de Estado, que será apresentada por PSD e CHEGA (com o PS a avançar com lista própria), o nome indicado pelo partido será o de André Ventura, que ficará em segundo lugar na lista, e em último irá Diogo Pacheco de Amorim, vice-presidente da Assembleia da República.

Últimas de Política Nacional

Proposta do CHEGA para acabar com as subvenções vitalícias a antigos titulares de cargos políticos foi chumbada no Parlamento. PSD e PS votaram lado a lado para travar o diploma e manter o atual regime.
O líder do CHEGA anunciou hoje que o partido vai pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva da Prestação Social Única (PSU), por considerar inconstitucional que pessoas com elevada incapacidade por doença tenham de prestar trabalho social.
A dirigente e deputada do CHEGA Rita Matias afirmou hoje que o seu partido está disponível para um “diálogo concreto” com o PSD e devolveu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, a acusação de “falta de coragem”.
O presidente do CHEGA disse que tentou “até à última hora” um consenso com o Governo sobre a lei laboral, e rejeitou que o chumbo da proposta tenha sido “cálculo político”.
André Ventura levou ao debate quinzenal 47 páginas de propostas para alterar a reforma laboral, defendendo o regresso dos 25 dias de férias, a valorização de quem trabalha por turnos e uma revisão das regras de acesso aos apoios sociais.
O líder do CHEGA anunciou esta terça-feira que a reunião que teve com o primeiro-ministro sobre as alterações à lei laboral terminou sem acordo e indicou que o partido e o Governo vão "continuar a trabalhar" nas próximas horas.
O presidente do CHEGA, André Ventura, confirmou hoje que vai voltar a reunir-se com o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, sobre a reforma laboral e pediu um compromisso escrito em relação à idade da reforma.
O Parlamento vota hoje uma lista conjunta PSD, CHEGA e PS para a eleição de quatro novos juízes candidatos ao Tribunal Constitucional (TC) e também a candidata proposta pelos socialistas para provedora de Justiça, Luísa Neto.
O Presidente do CHEGA defendeu hoje a confirmação do decreto do Parlamento sobre a utilização de bandeiras em edifícios públicos vetado pelo chefe de Estado, considerando que existe uma maioria suficiente para o fazer.
O Presidente do CHEGA afirmou hoje que não foi possível chegar a um entendimento com o Governo sobre a reforma laboral, depois de ter estado reunido com o primeiro-ministro, e reiterou que votará contra "se tudo se mantiver como está".