“O ano 2025 ficou marcado pelo incidente ocorrido a 28 de abril, denominado apagão, sendo que, globalmente, se manteve a tendência observada em 2024, de ligeiro aumento do número total de incidentes de segurança notificados à Anacom pelas empresas, num total de 87 incidentes, mais cinco que no ano anterior”, refere o regulador.
A falha no fornecimento de bens ou serviços por terceiros, como o caso do corte de energia, “e os acidentes ou fenómenos naturais estiveram na origem da maior parte das notificações recebidas pelo Centro de Reporte de Notificações (CRN) em 2025”, adianta a Anacom.
“Em conjunto com o ataque malicioso, em segundo lugar, e com a manutenção ou falha de ‘hardware’ ou de ‘software’, em terceiro lugar, estas causas representam a quase totalidade dos incidentes de segurança notificados (98%), nomeadamente devido a falhas de energia, cortes de cabos de fibra ótica, avarias de sistemas/equipamentos e interrupções de serviço programadas para trabalhos de manutenção”, prossegue o regulador, no comunicado.
Em 10 anos, entre 2015 e 2025, “os incidentes imputáveis a causas associadas a fatores externos ao setor tiveram uma preponderância superior a 77%”.
O regulador salientou ainda que se verificou “um maior número de incidentes notificados à Anacom nos 1.º e 2.º trimestres de 2025, sendo o 2.º trimestre aquele no qual se registou o maior número de notificações”.
Contudo, comparativamente aos anos anteriores, “observa-se uma distribuição mais uniforme de incidentes de segurança ao longo do ano”.
A maioria dos incidentes de segurança “teve impacto simultâneo em mais de um serviço de comunicações eletrónicas acessíveis ao público”.
Os serviços de telefonia fixa e Internet fixa “foram os mais afetados, com 59% do total de incidentes de segurança, seguindo-se o serviço de TV por subscrição (46%)”.
Em 2025, a duração total do impacto foi de 2.412 horas, contra 2.570 horas um ano antes.
Paralelamente, assistiu-se a “um acréscimo significativo do número total de assinantes/acessos afetados, de 1,9 milhões para 14,6 milhões, valor que se deve essencialmente ao apagão”.
Quanto à duração média do impacto por incidente, registou-se uma diminuição no ano passado face a 2024, “passando de 57 para cerca de 37 horas”.
Dos 87 incidentes de segurança, “5 tiveram abrangência nacional, enquanto os restantes tiveram impacto significativo nas redes e serviços dos distritos de Portugal Continental”.
O Regulamento de Segurança n.º 303/2019 da Anacom, publicado em 01 de abril de 2019, estabelece no n.º 1 do artigo 23.º que as empresas de comunicações eletrónicas devem informar o público na situação de incidentes de maior impacto.
Relativamente aos 87 incidentes registados em 2025, foi prestada informação ao público em 21 casos.